quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O AMOR DE PAI

A mãe encarna o acolhimento e o afeto protetor; o pai, a autoridade

A família formadora de valores humanos e cristãos". Um dos valores a serem destacados é a figura do pai, muitas vezes, desgastada pela dificuldade com que se olha ao redor, pondo em relevo mais as experiências negativas do que a quantidade de homens que descobriram e vivem de forma tão silenciosa quanto verdadeira a sua vocação e a sua missão. As pastorais e movimentos que se dedicam à Família têm oferecido uma ajuda preciosa para o aprendizado da missão paterna, quando possibilitam a escuta recíproca, na qual as experiências dos outros aplainam o caminho para o exercício da paternidade.
Vida eterna consiste nisto: que te conheçam a ti, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (Jo 17, 3). Toda a vida cristã é como uma grande peregrinação para a casa do Pai, de quem se descobre todos os dias o amor incondicional por cada criatura humana e, em particular, pelo «filho perdido» (cf. Lc 15, 11-32). Tal peregrinação parte do íntimo da pessoa, alargando-se depois à comunidade de fé até alcançar a humanidade inteira. A crise de civilização manifestou o ser humano tecnologicamente mais desenvolvido, mas interiormente empobrecido pelo esquecimento ou pela marginalização de Deus. À crise de civilização, há que responder com a civilização do amor, fundada sobre os valores universais de paz, solidariedade, justiça e liberdade, que encontram em Cristo a sua plena atuação (cf. Tertio Millenio Adveniente, 49-54).
A lucidez com que o Servo de Deus João Paulo II preparou a Igreja e a humanidade para o Grande Jubileu continua sendo preciosa para a compreensão de várias situações em que nos encontramos, sendo uma delas a crise da figura do pai. E muitas vezes se criam dificuldades para falar de Deus Pai, argumentando ser frágil a imagem paterna que as pessoas têm. João Paulo II notou que é necessário inverter a ordem das coisas. Não é Deus que realiza a figura do pai terreno, mas os pais da terra é que devem se espelhar no Pai do Céu. Você é filho ou filha de um Pai bondoso, forte e comprometido, um Pai suficientemente sábio para guiá-lo no caminho, suficientemente generoso para caminhar ao seu lado a cada passo. Essa talvez seja a coisa mais difícil de acreditar, realmente acreditar, do fundo do coração, de modo que nos mude para sempre, que mude a maneira como encaramos cada dia (cf. John Eldredge, "A grande aventura masculina").
No âmbito da educação familiar, as ciências humanas estão descobrindo sempre mais a importância da figura paterna em vista de um desenvolvimento harmonioso dos filhos. Se a mãe encarna o acolhimento, a compreensão, o afeto protetor, o pai encarna a autoridade que faz crescer, faz sair do narcisismo infantil, introduz a pessoa na realidade, estimula a iniciativa, o altruísmo, o sentido de limite, a responsabilidade. Obviamente, para uma adequada relação educativa, o pai deve evitar o autoritarismo e o espírito de domínio, saber unir a ternura e a mansidão à racionalidade e à firmeza.
Ser pai é uma vocação, uma graça especial dada por Deus, para a qual o homem deve se preparar, percorrendo as etapas de seu amadurecimento, chegando à capacidade de doar-se. O pai provedor, imagem tão ligada à sua missão, não desapareceu e continua tendo lugar nas próprias famílias e na sociedade. Só que sua realização exige um processo de aprendizagem, no qual a superação do egoísmo encontra espaço privilegiado. Para prover, o pai aprende a prever e prevenir, antecipando-se em suas atenções com os filhos e, é claro, com sua esposa. Olhe para o alto, para aquele que é "o" Pai (cf. II Cor 6, 18), pois somente quem sabe ser filho aprende a ser pai, o que significa saber ouvir, não ser o dono da verdade, perguntar, aprender sempre de novo e aprender mais. E peça ardentemente, em sua oração, a graça de ser pai!
Nosso agradecimento a todos os homens que descobriram esta maravilhosa vocação. A eles chegue também nossa bênção, que desejamos estendida a todas as famílias, por intermédio dos próprios pais, aos quais pedimos abençoarem suas esposas e filhos no dia que lhes é consagrado. De fato, cada pai crie a oportunidade, neste dia, para transmitir a bênção de Deus a seus familiares. É direito e dever!
Dom Alberto Taveira Corrêa

SOMENTE O AMOR REDIME E SALVA

291210O amor vivido, em cada momento da nossa vida, purifica o nosso olhar, e passamos a enxergar as pessoas como, de fato, elas são e como Jesus as enxerga. As nossas simpatias e antipatias não podem determinar o nosso amor pelas pessoas; ao contrário, em todas as circunstâncias, devemos nos perguntar: “Como Jesus enxerga esta pessoa?”.
Deus é amor e o Seu mandamento é que nos amemos como Ele nos ama. “O que ama o seu irmão permanece na luz e não corre perigo de tropeçar” (I Jo 2,10).
Amar não é fácil, mas da nossa parte precisamos tomar uma firme decisão de viver o mandamento do amor, que o Senhor nos deu, na certeza de que a graça do Alto está sobre nós.
Senhor, ensina-nos a amar.
Jesus, eu confio em Vós!

DE A NOSSA SENHORA A CHAVE DE SUA CASA


No sonho de Dom Bosco, o Papa fazia com que a barca da Igreja chegasse entre as duas colunas: Maria e a Eucaristia. É preciso consagrar a nossa família e a nossa casa àqueles que são os seus verdadeiros donos. Se você ainda não deu a eles o direito de serem os donos do seu lar, está na hora de fazê-lo! Se as coisas andam erradas, certamente é porque você ainda insiste em ser o dono da sua casa. Quem somos nós para solucionar alguma coisa!
É preciso dar a Nossa Senhora a chave da nossa casa, e fazer com que ela seja a dona. Precisamos consagrar a nossa casa a ela. Não precisa ficar com medo! A primeira coisa que a Virgem Maria vai fazer quando você a constituir dona da sua casa é entronizar Jesus nela. "Entronizar" quer dizer "colocar no trono". Ela vai sentar-se no trono da sua casa e ficará ao lado de Jesus, humilde, olhando para Ele, para nós, para a nossa casa, apontando para Jesus, apresentando-Lhe nossos problemas e as dificuldades.
Há quem diga que estamos idolatrando Nossa Senhora. Não se trata de idolatria. Ela é dona e rainha mesmo, mas sabe qual é o lugar dela. Ela não vai tirar o lugar de Cristo. Ao contrário, irá devolver a Jesus o lugar que Ele não está tendo em nossa casa. Está na hora de consagrar a nossa casa a Virgem Maria. Tenha certeza de que, consagrando-a a ela, a nossa casa será consagrada a Jesus, o Senhor!

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

VIVER BEM A RECONCILIAÇÃO

Somente quem está em harmonia consigo é capaz de se reconcilia
No mundo moderno as pessoas são conduzidas a serem máquinas, que só trabalham e se preocupam com o futuro, e por isso, não têm tempo para pensar em si mesmas, em suas escolhas e em seu proceder para viver bem com os outros. Consequentemente, elas vivem angustiadas, deprimidas, infelizes, doentes e dilaceradas.
Jesus disse ao Pai: "O mundo os odeia, porque eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas sim que os preserves do mal" (Jo 17, 14-15). Cristo deu-nos uma orientação para viver bem a nossa vida.
Aquele que vive de acordo com a mentalidade do mundo está mais exposto ao mal. Também vive uma divisão total, em si mesmo e com as pessoas. O egoísmo, a ganância, o individualismo, o orgulho, a vaidade e o desamor imperam em sua vida.
Jesus continua nos ensinando como viver bem: "Dei-lhes a glória que me deste, para que sejam um, como nós somos um: Eu neles e Tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade, e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste como amaste a mim" (Jo 17, 22-23).
Deus nos conduz a sermos perfeitos na unidade com Ele, com nós mesmos, com o próximo e com o mundo. Como viver esta verdade? Quero refletir com você sobre um dos segredos para sermos perfeitos na unidade: a reconciliação.
Em primeiro lugar, somente quem está em harmonia consigo mesmo é capaz de se reconciliar com as pessoas que estão ao seu lado. Aquele que está dilacerado interiormente, também dilacerá as pessoas que o cercam. Até nós cristãos, muitas vezes, gostaríamos de perdoar os nossos semelhantes, mas não conseguimos. Geralmente, isso ocorre porque ignoramos os nossos sentimentos de raiva, ressentimento e aborrecimento em relação à pessoa que nos magoou. Esses sentimentos ignorados enraizam-se em nosso interior e nos impedem de viver a reconciliação. Sobretudo, reconciliar-se significa esclarecer os sentimentos, expressá-los sem ofender e agredir o outro, sem querer saber quem tem razão, e também sem se justicar. Em qualquer comunidade, quando os conflitos e as diferenças são colocadas "embaixo do tapete" aparecem as divisões e as dificuldades para viverem unidas no mesmo propósito. Aí surgem perturbações na comunidade, as pessoas não confiam mais umas nas outras e se tornam apáticas em relação ao que os outros vivem.
A reconciliação é importante para recomeçar um casamento, uma amizade, um relacionamento entre irmãos e para viver a unidade com Deus, consigo mesmo, com os outros e entre os povos.
Marina Adamo

O HOMEM INTERIORMENTE ILUMINADO NÃO VACILA

281210“‘O Senhor é minha luz e minha salvação: a quem temerei?’ (Sl 26,1a).
Grande servo é este que sabia de que maneira era iluminado, donde lhe vinha a luz e quem o iluminava. Via a luz, não esta que declina à tarde, mas aquela que os olhos não veem. As almas iluminadas por esta luz não caem no pecado, não tropeçam nos vícios.
O Senhor disse: ‘caminhai enquanto tendes a luz em vós’ (cf. Jo 12, 35). De que luz Ele falava? Não estaria Ele falando de si mesmo? Ele que afirmou: ‘Eu, a luz, vim ao mundo, para que aqueles que vêem não vejam e os cegos recebam a luz’ (Jo 9,39). É Ele, o Senhor, nossa luz, sol de justiça, que refulgiu em sua Igreja Católica, espalhada por toda a terra. O profeta, figurando-a, clamava: ‘O Senhor é minha luz e minha salvação; a quem temerei?’” (Fonte: Liturgia das Horas – Vol. III - pág. 110 – 111, Dos Sermões de João, o Pequeno, Bispo de Nápoles).
Ao longo deste dia e em todos os dias de nossa vida, rezemos em todos os momentos e em todos as situações com este versículo: “O Senhor é minha luz e minha salvação: a quem temerei?”
Jesus, eu confio em Vós
Luzia Santiago

O QUERER É SEU , O REALIZAR É DEUS


Nossa parte é querer. É pedir! É se abrir. Como nas bodas de Caná, na qual havia uma missão para os serventes: encher as talhas de água. Se tivessem colocado a água pela metade, só teriam nas talhas a metade do vinho. Mas uma vez que as encheram até a borda, tiveram as talhas cheias de vinho. Quem transformou a água em vinho foi Jesus, mas quem a carregou foram os serventes (cf. Jo 2,1-11).
Sua parte é querer e pedir. Você precisa querer e pedir que o Senhor reavive o carisma de Deus que está em você. Só você pode fazer isso, ninguém pode fazê-lo em seu lugar. É a parte que lhe cabe
O querer é seu, o realizar é de Deus. Lembre sempre, vou repetir: o querer é seu; é a parte que lhe cabe, mas o realizar é de Deus. Pode experimentar: se você sinceramente deseja e pede, o Senhor fará a parte que cabe a Ele, derramando sobre você o Espírito Santo. Reinflamará o carisma que Ele mesmo colocou em você. Deus derrama Sua graça quando quer e é preciso.

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

VOLTANDO AO PRIMEIRO AMOR

Sem perseverarmos não alcançaremos nossos objetivos

Recordo-me claramente daquela noite, quando pela primeira vez participei de um grupo de oração e experimentei os efeitos do amor de Deus em minha vida. Saí do lugar com uma sensação diferente, semelhante a que sentimos quando estamos apaixonados, o mundo parecia ter um colorido especial e apesar dos problemas serem os mesmos, já não tinham tanto peso. Não sei explicar ao certo o que aconteceu, mas passei por uma profunda mudança interior. De imediato, comecei a empenhar-me para que cada vez mais pessoas pudessem experimentar a mesma graça e, desde então, grande parte de minha vida é empenhada nesse objetivo. Sou feliz vivendo assim e realizo-me ao perceber que, por intermédio do meu ninistério, Deus chega ao coração de tantos dia a dia.
Porém, partilho com você uma experiência desconcertante que vivi dias atrás enquanto fazia o estudo diário da Palavra.Em Apocalipse 2, 10 o Senhor diz: "Conheço as tuas obra e o teu trabalho... sofreste, e tens paciência; trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste. Porém tenho contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te, e volta [...]".Levei um susto ao perceber que Deus falava diretamente comigo naquele trecho da Sagrada Escritura e tenho rezado pedindo a graça de um reavivamento interior. Então, com este propósito, comecei a ler e a refletir a respeito da perseverança. Foi quando encontrei a seguinte história: "Conta-se que um religioso, nos primeiros cinco anos de seu ministério, manteve um quadro em sua escrivaninha que dizia: 'Ganhe o mundo para Cristo'. Nos cinco anos seguintes, trocou o quadro para: 'Ganhe um ou dois para Cristo'. Depois dos primeiros dez anos de seu ministério, o quadro de sua escrivaninha dizia: 'Tente não perder muitos'. Até que um dia enquanto organizava seu armário encontrou o primeiro quadro e ficou surpreso ao perceber o quanto havia se afastado da meta, fez uma revisão de vida e voltou a colocar o primeiro quadro de volta em sua escrivaninha."
É só uma história, mas nos leva a pensar em nossos propósitos de vida cristã e nos propõe recomeçar. Fico pensando, enquanto escrevo, nas vezes em que me comprometi diante de Deus, e a partir de coisas simples, levada por inúmeras situações, acabei por me esquecer.

Pense agora nas vezes em que você afirmou, por exemplo: "Eu nunca mais faço isso!" Ou ainda: "Daqui para frente vou agir diferente"... Conseguiu cumprir o propósito? A resposta nem sempre é positiva, ou seja: falta-nos perseverança. E esse é um dos graves problemas que afetam nossa geração. Somos constantemente estimulados a buscar o prático, o imediato e o fácil. Tudo que nos custa sacrifício, tendemos a rejeitar. Desde esperar um pouco mais na fila do banco até cultivar uma planta ou lavar uma roupa à mão, escrever uma carta, etc.
 perseverança é uma das mais belas e exigentes virtudes encontradas na vida cristã, é considerada a base para alcançar as vitórias. Aliás, acredito que o motivo de encontrarmos tantas pessoas infelizes, frustradas e desmotivadas, em nossos dias, está ligado também à falta dessa virtude [perseverança]. Quem não lutou por conquistar algo, não tem muito o que comemorar.
O problema é que quem deseja perseverar, deve saber que precisa renunciar algumas coisas. O atleta que pretende perseverar na carreira, certamente vai ter de renunciar ao grande consumo de chocolate, por exemplo. O cristão, por sua vez, se deseja perseverar em sua "carreira", deve renunciar a tudo que o impede de viver dignamente como filhos amado de Deus, inclusive quando se trata de relacionamentos.
Não é tarefa fácil, a renúncia sempre causa dor, mas só se alcança a vitória lutando por ela.
Continuando a ler a passagem em Apocalipse 2, encontramos no versículo 13 o seguinte: "Sê fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida." Ou seja, persevere que vale a pena! E tudo isso tem a ver com o primeiro amor, porque sem perseverarmos não conseguiremos manter acesa a chama da caridade em nossa alma, e sem a caridade, nada tem sentido.
Talvez as inúmeras atividades que fomos assumindo tenham nos afastado da meta e de nossos primeiros propósitos, mas Deus nos oferece a chance de recomeçar. E este é o momento! Lembrando que o Senhor está muito mais interessado em nosso coração do que nas obras que realizamos em nome d'Ele. Façamos uma revisão de vida e deixemo-nos conduzir por Seu amor.
Proponho vivermos a experiência daquele religioso da história. Vamos organizar nosso "armário interior" e procurar o quadro onde nosso primeiro propósito está escrito. Quando o encontrarmos, tenhamos a coragem de colocá-lo de volta na nossa "escrivaninha" e retomemos, com coragem, nosso propósito inicial. Se dermos os primeiros passos com decisão o Senhor nos ajudará a perseverar!
Dijanira Silva