sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

PARA ENTENDER A IDA EM CRISTO

Muitas vezes nos oferecemos a Deus, mas impomos condições entender a vida nova em Cristo, tomemos o texto da Carta de São Paulo aos Romanos, capítulo 12. São Paulo nos exorta a nos oferecermos, sem reservas, sem medidas, a nos entregarmos a Deus. O grande problema é que nós nos oferecemos a Deus, mas impomos condições. O apóstolo dos gentios vai mais além, exortando-nos a oferecer os nossos corpos. Porém, às vezes, dizemos: "Senhor, eu te entrego meu coração", mas Deus nos quer de corpo inteiro. Ofereçamo-nos por inteiro como Nossa Senhora o fez. Quando Maria disse: "Eis aqui a escrava do Senhor", estava se oferecendo sem reservas ao Senhor, porque o escravo não tinha direitos, estava completamente na mão do seu dono, que tinha sobre ele o poder da vida e da morte.
Como Nossa Senhora, somos chamados hoje a dizer: "Senhor, eu sou teu escravo, eu me ofereço por inteiro de forma santa e agradável." Este é o verdadeiro culto espiritual a Deus. Oferecer-se como hóstia viva é a vida em Cristo.
A maturidade de uma vida em Cristo é conseguir viver, o quanto mais plenamente, as três virtudes teologais: fé, esperança e caridade. Então, a maturidade na fé é crer, esperar e amar.
A meta e a busca, o ideal do cristão batizado é ser uma pessoa que crê, que espera e que ama. O grande problema é que perdemos o referencial, a impressão que temos é de que não existe um modelo a ser seguido, cada um cria o seu próprio modelo. Jesus deve ser nosso referencial de vida. Cristo é o homem maduro na fé, porque viveu na plenitude as virtudes teologais: Ele é o homem que crê, que espera e que ama.
Em nosso itinerário espiritual, essa é a referência, sempre partir desse ponto: eu quero, eu busco, eu almejo, eu tenho sede de ser uma pessoa que crê, que espera e que ama.
Contudo, mesmo a partir desse referencial, temos muita dificuldade para viver essa maturidade, por causa de algumas patologias espirituais, porque perdemos os senso do pecado, porque não nos oferecemos a Deus. No nosso itinerário espiritual, na nossa vida com Cristo, nós vamos com reservas, não nos jogamos, não nos lançamos, não entregamos tudo, por isso, não progredimos na fé.
Na nossa condição natural de ser humano, precisamos de Deus, temos uma sede de algo mais. No entanto, podemos perceber que alguns estão com a alma vazia, outros estão com a alma árida, outros estão com a alma sedenta.
O objetivo último do ser humano, na sua natureza, é Deus. A religião não é um ópio, não é alienação. O verdadeiro culto a Deus não engessa, não nos faz puritanos, não nos leva a uma patologia; pelo contrário, o verdadeiro culto a Deus nos potencializa, nos expande, nos transborda.
Com isso digo que, se há muita tristeza, desejo de suicídio, angústia, melancolia, neurose, pode ser algo emocional, mas com certeza é a ausência da água que dessedenta, que Jesus prometeu dizendo: "Quem beber dessa água não terá mais sede" (Jo 4, 14).
Então, estou afirmando que a maioria daqueles que se dizem iniciados na fé, que a maioria dos que comungam e se dizem cristãos, estão doentes na vida espiritual. Há tantas pessoas inseguras na fé, porque estão sentindo um vazio do tamanho de Deus. O vazio que sentimos só pode ser preenchido pelo Todo-poderoso.
Padre Reginaldo Manzotti

A FÉ TRANSPÕE TODOS OS OBSTÁCULOS

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A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo pode transpor qualquer obstáculo na nossa vida. Precisamos seguir sempre em frente, sem jamais desanimar nem ficar presos ao passado. Olhemos para frente, olhemos para o alto, “onde está Cristo sentado à direita de Deus” (Cl 3,1b).Somente caminhando à luz da fé somos capazes de enxergar para além das dificuldades e das limitações humanas. Sem o olhar da fé, desanimamos. Precisamos ter a mesma postura de Abraão, que: “Diante da promessa divina, não duvidou por falta de fé, mas revigorou-se, na fé e deu glória a Deus, convencido de que Deus tem poder para cumprir o que prometeu” (Rm 4,20-21).O Senhor tem muitas promessas para a nossa vida e precisamos acolhê-las na fé, como Abraão as acolheu e “esta atitude de fé lhe foi creditada como justiça”. Peçamos, hoje, ao Espírito Santo que revigore nossa fé. Caminhemos na certeza de que sempre a graça de Deus é muito maior do que os nossos limites e fraquezas; e unidos a Ele esforcemo-nos para viver santamente em cada momento ao longo do dia, mesmo quando tudo parecer desencontrado.Senhor, queremos hoje confiar em Ti e caminhar Contigo

Jesus, eu confio em Vós!

Luzia Santiago


O SEGREDO DA FELICIDADE É O AMOR QUE TUDO CRÊ TUDO SUPORTA

A Palavra de Deus hoje para nós é maravilhosa porque fortifica nosso coração. O apóstolo Paulo nos transmite a mensagem de que o "jamais" [no versículo 8] significa que é eterno, porque, como é mencionado no Evangelho de São João: Deus é amor, por isso, o amor é eterno.
São Paulo, de forma maravilhosa, mostra o caminho para a comunidade de Corinto alcançar os dons elevados, o caminho do amor. Dessa forma, o apóstolo ensina também o segredo da felicidade e revela a importância do mais nobre dos sentimentos [amor] para aquela comunidade.
O apóstolo dos gentios prega sobre Jesus crucificado com receio e muito temor, mas também como uma demonstração do poder do Espírito Santo. E falar sobre Jesus crucificado era um escândalo para judeus e loucura para pagãos, mas para todo aquele que crê é poder de Deus.
Na passagem bíblica de hoje, esse grande santo da Igreja reflete sobre o amor que se manifesta no Crucificado e mostra um Deus apaixonado, que se manifesta em nosso meio por intermédio de Seu Filho Jesus. Podemos perceber claramente a paixão do apóstolo por Jesus Cristo. Façamos hoje uma reflexão sobre nossos relacionamentos e sobre a paixão e o amor.
Muitas vezes nos equivocamos entre a paixão e o amor, pensando que são duas coisas opostas, ou seja, que a paixão é ruim e que só o amor é bom. Mas hoje Deus nos ensina, com a ajuda de Paulo, que a paixão está imbuída de amor.
O amor e a paixão são como uma maçã envolta numa calda de caramelo, resultando numa "maçã do amor" encontrada em quermesses. Se lambermos somente a calda, vamos nos enjoar facilmente e não vamos comer a fruta. Para isso não acontecer, é preciso morder a calda junto com a maçã. O que dará um ótimo sabor quando misturados. A paixão é como essa calda, e o amor é a maçã.
É importante que o casal esteja apaixonado e, como no exemplo acima, a paixão não é algo ruim, mas não podemos ficar somente nela, porque ela nos remete ao amor. As pessoas que vivem somente de paixão, de aventura em aventura, jamais fazem a experiência do amor.
O amor tudo crê, espera e suporta. Peçamos a Deus a graça de caminhar na fé e no amor. Esse é o remédio para muitos relacionamentos durarem: o amor, que desculpa tudo, crê em tudo, espera tudo e suporta tudo.
Alexandre Oliveira
Missionário da Comunidade Canção Nova

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

É POSSÍVEL SER HONESTO ?

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A corrupção destrói relacionamentos sociais, familiares, religiosos



Definida pelo ato ou efeito de corromper, decompor, a corrupção está a cada dia mais comum, ligada à figura da devassidão, depravação e perversão. Ela possui a capacidade de trazer à tona aquilo que há de mais sujo no homem. E o pior: ela está presente em todos os lugares, independentemente de classes sociais e padrões econômicos.
 A corrupção destrói os relacionamentos sociais, familiares, religiosos, políticos. Destruindo o próprio homem, que foi criado para a comunhão com os outros, fazendo destes vítimas, pois, na busca de vias desonestas, o homem corrupto acaba por decompor a si mesmo, assim como seus relacionamentos e identidade. É semelhante ao mito de Narciso, que, apaixonado por si mesmo e sua imagem, acaba morrendo afogado no lago.
 Essa prática é devastadora, causa estragos profundos nos homens e na comunidade política, macula a possibilidade de os homens serem inteiros, rompe o vínculo da comunhão e confiança, conduzindo-os à situação fedida da putrefação. E priva a comunidade política de exercer sua função vital, que é servir aos homens, em vista do bem comum.
 Por isso, há hoje em dia uma descrença na verdade, muitos estão desanimados, não acreditando na honestidade como padrão de comportamento moral, pois os honestos, inúmeras vezes, têm sido criticados por não entrar nos “esquemas”, se autoidentificando como seres em extinção. Por outro lado, não são poucos aqueles que se orgulham do famoso “jeitinho brasileiro”, divulgam as suas façanhas, e ainda por cima, parecem que sempre se dão bem.
 Não foi por acaso que o beato João Paulo II, em seu discurso aos leigos, em Campo Grande no Brasil, exortou os cristãos a não se deixarem abalar pelo temor de que a fidelidade aos princípios éticos os coloca em situação de desvantagem, num ambiente em que não raro a lei moral é desprezada e grande é a corrupção. O Santo Padre afirmou: "Mesmo que às vezes aquele que faz a opção pelo Evangelho pareça ficar em situação de inferioridade, é preciso ter a coragem de dar, em todo o momento, um testemunho ético nítido e inequívoco, deste modo estareis amando a Deus e estareis servindo o Brasil".
 Portanto, não é somente possível ser honesto mas necessário, pois o verdadeiro testemunho ético constrói laços incorruptíveis, e estes se tornam meios eficazes de santificação e, consequentemente, fermento de transformação da sociedade. Assim, o homem é chamado a ser inteiro e autêntico, rompendo com toda a decomposição gerada pela corrupção. Unido a Cristo – o homem honesto por essência, torna-se testemunha autêntica do Evangelho em razão de sua incorruptibilidade.
Ricardo Gaiotti

NATAL : TEMPO DE PRESÉPIOS

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Tempo rico em gestos de fraternidade e convites de solidariedade


Certos sinais são importantes para fecundar o sentido que sustenta a vida. Vivemos um tempo especial. O Natal é rico em sinais, com uma força que vem da beleza, dos gestos de fraternidade e dos convites para compromissos de solidariedade. De novo, neste tempo, as praças atrairão multidões pela singularidade de sua ornamentação, com iluminações criativas, muita gente, novidades, festa.
As casas também são enfeitadas. Lojas e shopping centers recebem especial tratamento de beleza. Papai Noel ganha um destaque fora do comum, um realce que merece preocupação. O que acontece quando crianças entendem o Natal apenas como tempo de Papai Noel? O perigo se manifesta quando o sentido dessa figura [Papai Noel] se reduz ao interesse de ganhar um presente.
O sonho de ser presenteado pelo velhinho encantado é também um sinal que possui força de evocações. Mas esse sinal terno do Papai Noel não remete, pelo menos de forma mais direta, às raízes do sentido do Natal. Mais importante que entender que é tempo de ganhar presente, até com riscos de alimentar alguma mesquinhez, o que vale é aprender a lição de que o bom velhinho nasceu da tradição narrada a respeito de São Nicolau, bispo de Mira, na Lícia, hoje parte da Turquia.
O destinatário mais importante dos presentes era o mais pobre, aquele que também tinha o direito de experimentar alegrias, nascidas de gestos de solidariedade. Pode-se imaginar a revolução de valores que viveríamos caso fosse resgatado esse entendimento de Papai Noel. O Natal não seria tempo de se receber presentes, mas de oferecer e repartir mais. Nesta direção está o horizonte largo e de inesgotável riqueza presente no sinal mais importante deste tempo: o presépio.
As lições do presépio, entendidas e praticadas, ajudam a livrar, homens e mulheres, dos caminhos que estão desfigurando a sociedade. São ensinamentos que precisam ser resgatados nas praças, nas igrejas, nas casas e em todo lugar. A tradição dos presépios nasce em 1223, quando, depois da aprovação da Regra dos Frades Menores, São Francisco de Assis foi para o eremitério de Greccio (Itália), com o propósito de ali celebrar o Natal do Senhor. O santo italiano disse a alguém que queria ver, com os olhos do corpo, como o Menino Jesus, escolhendo a humilhação, foi deitado numa manjedoura. Assim, entre o boi e o jumento, foi celebrada a Santa Missa de Natal, ainda sem estátuas e pinturas. Esse acontecimento foi a inspiração para, mais tarde, o Natal ser representado por meio do presépio, que simboliza a Encarnação de Jesus Cristo, o Verbo de Deus. A retratação do amor misericordioso de Deus na Encarnação do Filho Amado, o Redentor, no presépio, faz desta arte, nas mais diversas modalidades e com a inteligência de criatividades interpelantes, um ensinamento da mais alta importância. O presépio se torna assim um patrimônio da cultura e da fé popular. Esta retratação remete, pois, ao núcleo mais genuíno do sentido autêntico do Natal. O presépio, pela arte e pela beleza, mesmo pela simplicidade e pobreza, tem força para propagar o Evangelho com um entusiasmo singular, capaz de atrair toda atenção para Jesus, a Pessoa que é a razão insubstituível das festas natalinas.
A arte do presépio, de miniaturas a imagens em tamanho normal, com a riqueza dos personagens, da singeleza nobre das figuras de José e Maria venerando o Menino Deus, pode e deve tocar os corações. A celebração do Natal se torna consequentemente uma festa da interioridade sem eliminar, absolutamente, o que luzes, sons e enfeites significam na beleza amorosa deste tempo. Não se pode abrir mão do presépio, sinal que remete a Cristo.
Jesus deve ser e estar no centro do Natal, sem prescindir de tantas outras coisas que compõem e dão graça especial a este tempo. Vale recuperar e investir na armação de presépios, nas casas, nas igrejas e nos lugares públicos. Uma oportunidade para os pais exercerem a catequese dos filhos, reavivando no próprio coração as lições insubstituíveis aprendidas com Cristo. Assim, o tempo do Natal, respeitando seu genuíno sentido, torna-se época especial de aproximação. Passa-se a viver um encontro que transforma corações e superam-se descompassos como a corrupção e a mesquinhez de ter só para si. O presépio ajuda a dar estatura a quem só tem tamanho, fazendo brotar a sabedoria emoldurada por serenidade, um presente para quem contempla esse sinal e aprende o sentido de sua lição.
 Dom Walmor Oliveira de Azevedo

NOSSA SENHORA DA IMACULADA CONCEIÇÃO

Mais do que memória ou festa de um dos santos de Deus, neste dia estamos solenemente comemorando a Imaculada Conceição de Nossa Senhora, a Rainha de todos os santos.
Esta verdade, reconhecida pela Igreja de Cristo, é muito antiga. Muitos padres e doutores da Igreja oriental, ao exaltarem a grandeza de Maria, Mãe de Deus, usavam expressões como: cheia de graça, lírio da inocência, mais pura que os anjos.
A Igreja ocidental, que sempre muito amou a Santíssima Virgem, tinha uma certa dificuldade para a aceitação do mistério da Imaculada Conceição. Em 1304, o Papa Bento XI reuniu na Universidade de Paris uma assembleia dos doutores mais eminentes em Teologia, para terminar as questões de escola sobre a Imaculada Conceição da Virgem. Foi o franciscano João Duns Escoto quem solucionou a dificuldade ao mostrar que era sumamente conveniente que Deus preservasse Maria do pecado original, pois a Santíssima Virgem era destinada a ser mãe do seu Filho. Isso é possível para a Onipotência de Deus, portanto, o Senhor, de fato, a preservou, antecipando-lhe os frutos da redenção de Cristo.
Rapidamente a doutrina da Imaculada Conceição de Maria, no seio de sua mãe Sant'Ana, foi introduzido no calendário romano. A própria Virgem Maria apareceu em 1830 a Santa Catarina Labouré pedindo que se cunhasse uma medalha com a oração: "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós".
No dia 8 de dezembro de 1854, através da bula Ineffabilis Deus do Papa Pio IX, a Igreja oficialmente reconheceu e declarou solenemente como dogma: "Maria isenta do pecado original".
A própria Virgem Maria, na sua aparição em Lourdes, em 1858, confirmou a definição dogmática e a fé do povo dizendo para Santa Bernadette e para todos nós: "Eu Sou a Imaculada Conceição".
Nossa Senhora da Imaculada Conceição, rogai por nós!