segunda-feira, 19 de novembro de 2012

TEMOS AMADO REALMENTE AO PRÓXIMO

Misericórdia não é só o Senhor nos pegar no colo, mas também falar firme conosco e colocar diante de nossos olhos as nossas fraquezas e mediocridades. Precisamos saber que entre o céu e o inferno não há uma "coluna do meio". Como ensina a Palavra de Deus, muitos dirão: "Senhor, Senhor!" e Ele dirá: "Eu não te reconheço". Nós podemos pregar, cumprir com nossas obrigações cristãs, alcançar milagres em nome de Jesus Cristo, fazer uso dos carismas, mas se a nossa vida não corresponder a tudo isso iremos para o fogo do inferno! 

Temos realmente amado nosso próximo como Cristo nos pede? Sem o julgar, caluniar e menosprezar? Se o outro deseja nosso mal, nós não temos o direito de fazer o mesmo! Peçamos ao Espírito Santo que nos dê a graça de sermos verdadeiramente cristãos e santos.

Rezemos: "Meu Deus, que pratiquemos a justiça e andemos no caminho do Senhor. Amém".

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

O SALTO DA FÉ

Não deixe escapar a oportunidade de acreditar

Eram os primeiros anos de sacerdócio, em minha primeira Paróquia, numa das mais gratificantes experiências do exercício do ministério, a atenção aos doentes, regularmente visitados, para o Sacramento da Penitência, a Unção dos enfermos e a Sagrada Comunhão, quando recebi uma das lições mais expressivas. Penso nos meus sacerdotes hoje, muitos deles dedicados semanalmente a tais visitas, testemunhas de milagres, quando Deus lhes concede muito mais do que levam aos verdadeiros santuários, que são os leitos dos que se fazem para-raios que, com sua oferta e oração contínua, sustentam silenciosamente a Igreja e os irmãos.

Pois bem, minha mestra espiritual, naquela ocasião, foi uma cega de nascença, no alto de seus oitenta e nove anos. Lembro-me de seu rosto curtido, com as marcas da ascendência escrava, da qual nunca se envergonhou. Recebidos os Sacramentos, diante das pessoas que comigo se encontravam, enquanto “saía um cafezinho novo”, pontificou diante do padre novo: “Agradeço a Deus por ser cega! O senhor não acha que a maior parte dos pecados começa com a vista? Ora, se não enxergo, posso pecar menos!” Fazia poucos anos em que tinha me debruçado sobre a afirmação do Senhor Jesus: “Se teu olho te leva à queda, arranca-o e joga fora. É melhor entrares na vida tendo um olho só do que, com os dois, seres lançado ao fogo do inferno” (Mt 18,9). 

Precisei de uma pessoa que nunca tinha lido uma letra para entender melhor a importância de viver sem pecado, coragem para resistir às tentações e perseverar no bem. É que aquela senhora enxergava mais do que todos, pois via com o coração.Seu horizonte era muito mais amplo e suas muitas lições permaneceram em seus familiares e frutificaram na Comunidade em que vivia.

“Cheios de grande admiração, diziam: “Tudo ele tem feito bem. Faz os surdos ouvirem e os mudos falarem” (Mc 7,37). O contato de Jesus com as pessoas as deixa sempre marcadas positivamente. Ninguém passa em vão ao seu lado. Em Jericó (Mc 10,46-52), depois de uma escola de vida, durante uma viagem, na qual formava seus amigos escolhidos para a missão de levar a Boa Nova a todos, indica-lhes o modelo do discípulo justamente em Bartimeu, cego, mendigo sentado à beira do caminho e morador de uma cidade de má fama! Mais do que os alunos aplicados da escola do caminho, o rejeitado por todos, sobre o qual muitos teriam perguntado sobre eventuais culpas (Cf. Jo 9,2), é apresentado pelo Evangelho como modelo de discípulo.
Bartimeu é daquelas pessoas que não deixam escapar uma boa oportunidade (Cf. Raniero Cantalamessa, Gettate le reti, Anno B, PIEMME, 2004, Pág. 314). Ouviu dizer que Jesus, o nazareno, estava passando e agiu com prontidão, gritando no meio do povo, mesmo quando a “turma do deixa disso” quis calar sua boca. Era um mendigo da luz, queria enxergar! Como tantos homens e mulheres, jovens ou adultos de nosso tempo que pedem a esmola da luz verdadeira, querem conhecer a verdade, quem sabe às apalpadelas. Faz pensar nas muitas situações em que nosso tempo quer calar a voz da fé, para que se torne apenas um fato privado, com a pretensão de que desapareçam todos os sinais externos das convicções religiosas que sempre geraram cultura e valores. 

Bartimeu gritou em voz bem alta a sua fé, para dizer a todos que Jesus é o Messias prometido. Há gritos entalados, e vi muitos deles nas multidões do Círio de Nazaré de 2012, que querem chorar e espernear pelos valores do Evangelho e da dignidade das pessoas humanas. Há gente que quer dar o salto da fé, para sair do meio da multidão! Jesus pretende, através dos cristãos de hoje, aproximar-se de cada uma delas, para perguntar “o que queres que eu te faça?”. Para tanto, faz-se necessário dar um “trato” de atenção e carinho a todos os que estão afastados ou assim se sentem. Lá na margem dos lagos da vida, ou quem sabe, lá na correnteza violenta dos rios da existência, ou, quem sabe, na escuridão das vielas em que se escondem, há pessoas pedindo a esmola da verdade.

Ressoe de novo a palavra do Senhor: “Aclamai a Jacó alegremente, cantai hinos à primeira das nações! Soltai a voz! Cantai! Dizei: Senhor, salva teu povo, o que restava de Israel! Pois vou trazê-los de volta do país do norte, dos extremos da terra hei de reuni-los. Entre eles, cego e aleijado, mulher grávida e parturiente. Em grande multidão voltam para cá. Chegam chorando, suplicantes eu os traslado. Faço-os caminhar entre torrentes de água, por caminhos planos, onde não tropeçam; eu sou pai para Israel, Efraim é meu filho querido” (Jr 31,7-9). Norte, traslado, reunião de multidões, cego e aleijado, mulher grávida e parturiente, torrentes de água, caminhos onde as pessoas não tropeçam... Qualquer semelhança com o que vivemos no Círio, não é coincidência! É Providência!

Cabe-nos encontrar as formas adequadas para dizer “Coragem, levanta-te, Jesus te chama” (Mc 10,49). A cura das pessoas e das multidões virá pelo encontro com o Senhor que é Deus e homem. A Igreja, servidora e colaboradora da verdade, renove suas disposições para anunciar integralmente o Evangelho, no ano da Fé. Este será uma ocasião propícia a fim de que todos os fiéis compreendam mais profundamente que o fundamento da fé cristã é o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo.

Fundamentada no encontro com Jesus Cristo ressuscitado, a fé poderá ser redescoberta na sua integridade e em todo o seu esplendor. Também nos nossos dias a fé é um dom que se deve redescobrir, cultivar e testemunhar para que o Senhor conceda a cada um de nós vivermos a beleza e a alegria de sermos cristãos (Cf. Bento XVI, Carta Enc. Deus caritas est, 25 de dezembro de 2005, n. 1 e Homilia na Festa do Batismo do Senhor, 10 de janeiro 2010).
Dom Alberto Taveira Corrêa

sábado, 17 de novembro de 2012


EUCARISTIA , COMUNHÃO PLENA NO SENHOR

Quem recebe a Eucaristia, recebe o Corpo do Senhor. É o Senhor permanecendo em nós e nós, n'Ele. Pois quando comungamos é a Pessoa inteira de Jesus que recebemos. É Jesus Cristo Ressuscitado, com Seu Corpo glorioso. Entramos em comunhão com Suas chagas, que foram abertas por nós, para curar nossas feridas e as marcas que o pecado deixou em nós. 

Comungamos o Coração do Senhor, que amou e que ainda ama a cada um de nós: o mesmo Coração que fora perfurado pela lança. O Corpo de Cristo – presente na Eucaristia – vem atingir pessoalmente o nosso ser em todas as suas áreas. 

Quantas pessoas, nos dias de hoje, vivem com depressão, angústias, tensões e insônia. E são dependentes de remédios para dormir e para ter um pouco de tranquilidade por conta disso. Isso tudo é conseqüência do mundo de hoje, da tentação que entra para destruir tudo em nossas vidas. De forma que para suportar a batalha espiritual, na qual estamos envolvidos, precisamos da Eucaristia.

"A minha carne é VERDADEIRA comida e o meu sangue VERDADEIRA bebida. Aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e Eu nele" (João 6,56).

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

BUSQUE A VIDA NOVA EM CRISTO

Um dia, Maria Madalena teve coragem de se aproximar de Cristo para ouvi-Lo de perto, dessa forma, experimentou todo o amor e a misericórdia de Deus. Jesus não a reprovou, por isso, ela pôde sentir Sua misericórdia e vislumbrar a possibilidade de ser diferente. Deixou tudo para trás porque viu que Ele era o Messias anunciado pelos profetas desde Moisés. 

Você também tem essa chance. O seu coração sempre buscou isso, mesmo na vida errada que andava vivendo, desde as coisas do sexo às da mentira, falsidade, orgulho, vaidade, corrupção, entre outras. Você tem agora a oportunidade de deixar tudo isso e buscar a vida nova em Cristo! Hoje o Senhor está lhe dando a graça de romper com a mediocridade.

Hoje, Jesus Cristo ressuscitou você em primeiro lugar e lhe deu uma vida nova. Agora é o dia da salvação para você! Hoje é o dia favorável. Decida-se! E a decisão é só sua, ninguém pode decidir por você. 

"Viva Jesus, que não deixa de consolar quem n'Ele confia e espera!" (Padre Pio de Pietrelcina)

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

CRISTO NOS QUER UNIDOS

Queremos que todos deixem o pecado. Queremos que todos os que participam da nossa comunidade, do grupo de oração, das pastorais sejam santos. Não aceitamos que ninguém dê contratestemunho. Mas, sem misericórdia nada vamos conseguir de positivo. Precisamos ser cheios de misericórdia, pois cada um de nós se encontra em processo de conversão. 

É preciso confiar em Deus e acreditar no outro. Como sempre digo: Não podemos excluir nem perder ninguém! O próprio Deus respeita e acompanha o processo duro e demorado da conversão de cada um de nós.

Para conseguirmos vencer os preconceitos e as barreiras que temos em relação aos outros, para termos um coração acolhedor e humilde e para sermos como nossa mãe, a Igreja, necessitamos da Eucaristia. Ela foi instituída para nos unir, por isso, nela precisamos celebrar nossa união. Por essa razão, não podemos celebrar a Eucaristia e alimentar mágoa no coração, porque a Ceia do Senhor é a Ceia do amor e da unidade. Como o próprio Jesus disse – é preciso que deixemos nossa oferta no altar e voltemos para nos reconciliar como nosso irmão. 

Estaríamos nos deformando e dividindo a Igreja de Deus se celebrássemos a Ceia do Senhor, desunidos. Nossos corações precisam estar purificados de toda mágoa, ressentimento e rancor, para que então a Ceia do Senhor seja realmente proveitosa para nossa vida presente e para a eternidade.

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

RADICALIDADE

Não corremos atrás de ideias, mas seguimos uma pessoa

A experiência autêntica da fé, posta em luz pela convocação de um ano destinado a fazer crescer nos cristãos a consciência de suas convicções e a testemunhá-las corajosamente, traz consigo consequências a um tempo consoladoras e exigentes. Jesus Cristo não é um escritor de obras famosas, como muitos de todos os tempos, até porque a única vez que o vemos escrevendo foi na areia, no conhecido episódio da mulher adúltera (cf. Jo 8).

O vento apagou logo seus poucos escritos, mas nada apaga o que ele é, tanto que muitos escreveram o que disse e fez para conhecermos a solidez dos ensinamentos (cf. Lc 1,4). Seria muito pouco considerá-lo apenas um mestre, ainda que tenha arrebanhado, atrás de si, discípulos, dentre os quais queremos também ser reconhecidos. Ele é Redentor, Salvador, Filho de Deus! Não corremos atrás de ideias, mas seguimos uma pessoa, nada menos do que o Verbo de Deus feito carne. Diante dele todo joelho se dobre e toda língua proclame que é “o” Senhor (cf. Fl 2,5-11).
Homens e mulheres de todas as raças, povos, línguas e nações (cf. Ap 7,9-10) o seguem e o reconhecem Deus verdadeiro, o Cordeiro que tira o pecado do mundo, aquele que tem a chave para abrir o livro da vida (cf. Ap 5,1-14) de todas as pessoas humanas e da história. Encontrá-lo e aderir a Ele, na fé, dá sentido à existência e possibilita entender os intrincados caminhos da aventura humana nesta terra.Tudo isso é magnífico e ecoa altissonante pelos caminhos da história. No entanto, viver a fé cristã é algo que se expressa na simplicidade do dia a dia, com gestos que podem parecer prosaicos, mas são densos de sentido. Não se trata, em primeiro lugar, de fazer grandes coisas, mas de realizar com alma grande os pequenos gestos. A aventura cristã no mundo é marcada pela radicalidade no seguimento corajoso de Jesus Cristo. Aquele que não se apegou a si mesmo, mas deu tudo, tomando a forma de escravo, tornando-se semelhante ao ser humano (Fl 2,7), pede a resposta e a reciprocidade da entrega de vida de cada cristão. Dizer “eu creio” é povoar o horizonte da existência com gestos que revelem esta radicalidade.
No Evangelho de São Marcos, verdadeiro documento de identidade de Jesus Cristo (cf. Mc 1,1), o leitor é provocado a ir ao encontro do Senhor, para reconhecê-Lo como Filho de Deus. Mas os modelos oferecidos por Jesus surpreendem pela simplicidade e eloquência de seus gestos e atitudes. Um deles é apresentado pela palavra proclamada nas missas do presente final de semana (Mc 12, 38-44). A prática religiosa de muitos, aos quais havia sido confiada justamente a responsabilidade pela orientação do povo, tinha se reduzido à competição, carreirismo, exploração e exterioridades estéreis.

A plebe ignara era relegada à margem, os pobres e tanta gente simples considerados massa sobrante diante dos privilegiados da sociedade e da religião. De repente, vem Jesus Cristo, depois de uma viagem pelas margens do Jordão, Jericó e o deserto de Judá, e entra em sua cidade de Jerusalém, acolhido com hosanas pelo povo. Radicaliza-se o confronto com as autoridades, vistas como figueira que não dá fruto (Mc 11,14), purifica o templo, enfrenta o bombardeio de perguntas que são verdadeiras armadilhas (Mc 12,13-34) e contempla, tranquilo, os gestos das pessoas que fazem suas ofertas.


Uma pessoa chama a atenção e é escolhida como um dos modelos privilegiados, uma pobre viúva que versa no cofre das esmolas apenas duas moedinhas, tudo aquilo que tinha para viver (Mc 12,42-44). Deu mais, porque deu tudo! Jesus tem um modo radicalmente diferente para entender as pessoas e a vida. Acreditar nele é mudar a mentalidade e enxergar o sentido profundo de gestos semelhantes ao da viúva. Provavelmente, só no céu ela soube que sua atitude percorre os séculos e se torna referência para tantas gerações!
O convite da Palavra de Deus nos despoja de falsas pretensões, desejo de publicidade fácil e orgulho estéril. É necessário olhar ao redor para identificar quantas viúvas pobres ou tantas pessoas aparentemente insignificantes, para descobrir os imensos tesouros de generosidade que edificam a vida e a Igreja. Por outro lado, trata-se agora de converter-nos à simplicidade, olhar ao nosso redor para que ninguém passe em vão ao nosso lado, não desperdiçar qualquer oportunidade para fazer o bem. E em relação a Deus, o olhar quase furtivo para o Sacrário, o sinal da Cruz bem feito, as orações mais simples que sabemos, o desabafo da oração espontânea, a renovação espontânea da fé, tudo conta, pois o Senhor acolhe os gestos mais singelos, já que no Céu estão escritos os nossos nomes! (cf. Lc 10,20)
Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém - PA