segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

PAIS QUE AMAM SEUS FILHOS

Conquiste seu filho doando-se a ele

João Paulo II dizia que a família é santuário da vida, mas ela está sendo ameaçada. Estão criando famílias falsas, alternativas, assim como moedas sem valor. Criar uma moeda falsa é crime, porque ela desvaloriza a verdadeira. Os filhos são frutos de casais. Deus disse ao casal: “crescei e multiplicai”, é uma ordem do Pai e ela não é facultativa.
A primeira dimensão do casal é crescer. A mulher tem de crescer por causa do marido, tem de ser mais feliz por causa dele; e o marido precisa crescer por causa da esposa, precisa ser feliz por causa dela. O casamento começa a fracassar quando um não é fermento de crescimento para o outro. Eu tenho certeza que, na eternidade, Deus vai dizer a muitas mulheres: “muito obrigado, porque eu lhe dei um homem difícil, sem fé, mas você mudou a vida desse meu filho, você o fez crescer, entrar para a glória”. O Senhor também vai dizer para muitos homens: “eu lhe dei uma mulher complicada, mas você a fez crescer”. Essa é a beleza do casamento, você ver o outro crescer.
Quando um casal se ama de verdade, a educação dos filhos é muito fácil, porque o exemplo transborda para eles. Educamos os filhos pela vida. Se esse casal vive brigando, não reza, será difícil educar seus filhos.
Hoje, muitos jovens não querem casar por causa do exemplo de seus pais. Não podemos passar para os filhos essa imagem negativa do casamento. O matrimônio é obra de Deus. Não separe o homem o que Deus uniu, disse Jesus. Por amor aos filhos temos de viver bem, eles têm de ser motivação para que nós casais superemos as dificuldades
Reze pela pessoa antes de apontar um defeito. Aponte primeiro a qualidade, escolha a hora certa para falar, não corrija na frente do outros, corrija com carinho, com palavras doces, não humilhando na frente dos outros. Não desenterre os erros do passado, todos nós os temos. 
Às vezes, numa briga, jogamos erros do passado que machucam os outros. Não seja displicente com a pessoa amada. Quando o marido chega, você tem de parar o que está fazendo e recebê-lo. Regue seu casamento. Saiba pedir perdão, perdoe: “eu errei, não vou mais fazer isso”. Todos nós erramos e temos direito de ser perdoados, mas devemos pedir perdão também. Quando um não quer, dois não brigam, católico não briga. A melhor educação que damos para os filhos é a nossa vida. "Filho de peixe é peixinho". 
Os pais que amam seus filhos os corrigem. Deus deu autoridade aos pais para a correção, pois toda paternidade vem de Deus, diz o apóstolo. Não precisa usar de violência, palavras ofensivas. Corrija com amor, senão, mais tarde, você não conseguirá educá-los.
Meu pai sempre dizia: ”não façam nada contra sua consciência, não compensa”. Quando estávamos numa situação difícil, ele dizia: “sustenta o fogo, a vitoria será nossa”. Eu tive um pai maravilhoso!
Para que os pais deem ensinamentos aos seus filhos é preciso que esses os conquistem. Se não conquistá-los, ele não vai ouvi-los. Como conquistar um filho? É fazendo-o ter orgulho de você, um santo orgulho. Dando para ele todo o dinheiro que ele quer? Não! Se assim for, o pobre não vai poder conquistar os filhos. Você não conquista seu filho dando-lhe coisas, mas o conquista quando se dá a ele. É claro que podemos dar algumas coisas, dentro do equilíbrio, dentro da condição financeira, mas não é isso que vai conquistá-lo.
Você precisa ter tempo para seu filho, gaste seu tempo com ele, principalmente quando criança até adolescência. “Ah! Mas tenho as coisas da Igreja”. A Igreja precisa vir em segundo lugar, pois você é pai não é padre. Deus nos dá o tempo suficiente, não somos padres e freiras, somos pais e mães, não podemos deixar nossos filhos carentes de pai e mãe. Deus quer que cuidemos de nossos filhos.
O casamento é uma missão sagrada e uma parte dessa missão é educar os filhos para Deus. Muito mais importante que criar um computador é criar um filho, um ser humano imagem e semelhança de Deus. “O filho é o dom mais excelente do casamento” (CIC). João Paulo II dizia: “Não tenham medo da vida”. Os casais católicos estão com medo da vida, alguns por comodismo, porque filho gasta, dá trabalho... é claro que dá trabalho, é uma pérola. Não tenham medo da vida, a coisa mais importante na vida é a vida. Amem-na.
Conquiste seu filho dando-se a ele. Você não vai mimar essa criança, mas dar a ela aquilo que ela precisa receber: educação religiosa, moral e intelectual. E isso não é só para o filho pequeno.
Quando for preciso chamar atenção de seu filho, reze por ele e chame a sua atenção em um lugar reservado, nunca na frente dos outros. Uma coisa que precisamos aprender é que pai também erra e precisa pedir perdão ao filho. Se você não perder sua autoridade, seu filho vai amá-lo mais.
Outra coisa que ajuda a conquistar os filhos é levá-los para Deus. Temos de levar os filhos para o Senhor. Você não vai conseguir levá-los para Deus sem antes conquistá-los. Não adianta querer levá-lo pelo colarinho, porque ele vai só até os 15 anos e depois abandona a Igreja. Antes de dizer ao seu filho que Deus o ama, você precisa dizer: “eu te amo”. Ele vai sentir o amor de Deus pelo amor dos pais.
"A bênção do pai fortalece a casa de seus filhos, a maldição de uma mãe a arrasa atér os alicerces" (Eclesiástico 3,11). Você precisa abençoar seus filhos.
Felipe Aquino

PREGUIÇA

O trabalho mais duro do mundo é não fazer nada

O trabalho não é uma penalidade, mas uma colaboração. 
Após o pecado ter entrado na nossa história, Deus impôs ao homem “a lei severa e redentora do trabalho”, como disse Paulo VI. “Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado” (Gn 3,19). A partir da tragédia do pecado original, o trabalho passou a ser um veículo redentor para o homem, além de ser o meio pelo qual ele é chamado a ser cooperador de Deus na obra da construção do mundo. 
Michel Quoist disse que “o trabalho não é uma punição, mas uma honra que Deus concede aos homens. O Pai não quis acabar sozinho a criação, por isso convida Sua criatura a colaborar com Ele”. 
O Senhor derrama Sua graça sobre aquele que trabalha com diligência. Este caminha para a perfeição. Não foi sem razão que Confúcio disse certa vez: “Deus colocou o trabalho como sentinela da virtude”. 
O trabalho traz para o homem uma misteriosa e agradável recompensa que ninguém e nada pode tirar. O trabalho sério imprime, na própria matéria, o espírito, e isto glorifica o Criador. Se com humildade oferecemos a Ele o nosso trabalho, este adquire um valor eterno. Assim, o temporal se transforma em eterno; e esta é a grande recompensa do trabalhador. Esta reflexão nos deixa entrever todo o mal da preguiça. Nenhum bem valioso e nenhuma virtude autêntica podem ser conquistadas sem o trabalho diligente e paciente. 

Lamentavelmente, criou-se também entre nós católicos a triste cultura de se “ganhar a vida na sorte”, recorrendo-se às “senas” milionárias e às loterias alienantes. Esta não é a vontade de Deus para o homem sobre a Terra. “Ganharás o teu pão com o suor do teu rosto”, “quem não quiser trabalhar, que não coma”, esta é a lei santa, severa e redentora do Senhor. Querer viver sem trabalho é como desejar a própria maldição nesta vida. Nos momentos mais críticos da vida é o trabalho a tábua da salvação para todos nós.
Facilmente percebemos quantos males sociais advém do ócio e da preguiça. Para compreender a sua gravidade ela é classificada como um “pecado capital”. 
Temos de entender a dignidade e a importância do trabalho humano no plano de Deus. São Paulo disse aos tessalonicenses: “Procurai viver com serenidade, trabalhando com vossas mãos, como vo-lo temos recomendado. É assim que vivereis honrosamente em presença dos de fora e não sereis pesados a ninguém”. (1Ts 4,11-12) 
É tão importante o trabalho para o homem que o Talmud dos judeus diz: “Nenhum trabalho, por mais humilde que seja, desonra o homem”. E ainda: “Não ensinar ao filho a trabalhar é como ensinar-lhe a roubar”. E uma máxima rabínica dizia que “o trabalho mais duro do mundo é não fazer nada”. 
O nosso grande João XXIII, de inesquecível memória, o gigante do Vaticano II, disse certa vez: “O trabalho deve ser concebido e vivido como vocação e missão, como tributo à civilização humana”. 
A maior parte da nossa vida transcorre no trabalho de cada dia; seja ele braçal ou mental, doméstico ou empresarial, profissional ou particular. E o trabalho foi colocado em nossa vida por Deus como um meio de santificação. Para nos mostrar sua importância fundamental, Jesus trabalhou até os trinta anos naquela carpintaria humilde e santa de Nazaré. E para nos mostrar que todo trabalho é importante, Ele assumiu o trabalho mais humilde, o de carpinteiro, que era desprezado no Seu tempo. São Bento de Núrcia tomou como lema da vida dos mosteiros “Ora et Labora!” (Reza e Trabalha!). 
O nosso Catecismo ensina que: “O trabalho não é uma penalidade, mas a colaboração do homem e da mulher com Deus no aperfeiçoamento da criação visível” (CIC, §378). Falando da vida oculta de Jesus na família, quando de Sua visita à Terra Santa, o Papa Paulo VI disse em Nazaré: “ (…) uma lição de trabalho. Nazaré, ó casa do “Filho do Carpinteiro”, é aqui que gostaríamos de compreender e celebrar a lei severa e redentora do trabalho humano (…)” (05/01/1964). 
O Fundador do “Opus Dei”, o Beato Monsenhor Escrivá de Balaguer, dizia: “enquanto houver homens sobre a terra, por muito que se alterem as técnicas de produção, haverá sempre um trabalho humano que os homens poderão oferecer a Deus, que poderão santificar”. São Paulo disse aos coríntios: “Quer comais ou bebais ou façais qualquer outra coisa, façais tudo para a glória de Deus” (1Cor 10,31). Se até o simples comer e beber devem dar glória a Deus, quanto mais o trabalho! Aos colossenses São Paulo explica mais claro ainda: “Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai” (Cl 3,17). 
É preciso notar bem esse “tudo quanto fizerdes”; nada fica de fora, nada é profano na nossa vida. Tudo deve ser feito, sem preguiça e sem lamúria, “em nome do Senhor”, isto é,“Nele” e “por Ele” para dar graças ao Pai. 
Um pouco adiante, o apóstolo insiste novamente: “Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens. Sabeis que recebereis como recompensa a herança das mãos do Senhor. Servi ao Senhor Jesus Cristo” (Cl 3,23). 
“Fazei-o de bom coração”, quer dizer, fazer com amor e não por interesse; e “como para o Senhor não para os homens.” 
Aqui está o ponto mais importante. Tudo o que fazemos deve ser feito “para o Senhor” sem preguiça e sem reclamação para não perdermos o mérito da boa ação. Não importa o que seja, se é grande ou pequeno, deve ser feito tendo o Senhor como “Patrão”. Se você é lavadeira, então lave cada camisa ou cada calça com todo o capricho, como se o próprio Jesus fosse vesti-las. Se você é professor, prepare bem a sua aula, ministre-a com capricho e sem preguiça, como se Jesus fosse um aluno que quer aprender. Se você é um médico, atenda cada paciente sem preguiça e sem má vontade, como se o próprio Jesus fosse o doente. 

“Sabeis que recebereis como recompensa a herança das mãos do Senhor.
Felipe Aquino

domingo, 3 de fevereiro de 2013


“As Minhas ovelhas ouvem a Minha voz…e Me seguem” (João 10:27). Isso é prazer em obedecer !
“As Minhas ovelhas ouvem a Minha voz…e Me seguem” (João 10:27). Isso é prazer em obedecer !

TUDO NA VIDA PASSA .O QUE NÃO PASSA ?



Tudo na vida passa, somente Deus permanece. Quando nós estamos sofrendo, parece-nos que o sofrimento nunca chegará ao fim, mas não percamos de vista que “os sofrimentos do tempo presente não têm proporção da glória futura que nos deve ser manifestada” (Rm 8,18).
Como é sábio da nossa parte não nos apegarmos às coisas que passam. Apegarmos, de todo o nosso coração, ao único essencial para a nossa vida: Jesus Cristo, “o mesmo de ontem, de hoje e por toda a eternidade” (Hb 13,8).
Senhor, dá-nos a graça de nos desapegarmos das coisas que passam e abraçarmos as que não passam.
Jesus, manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao Vosso!
Luzia Santiago

RELACIONAR COM ESPÍRITO SANTO

Espírito Santo é a experiência do amor de Deus

Crer no Espírito é, portanto, professar que o Espírito Santo é uma das Pessoas da Santíssima Trindade, consubstancial ao Pai e ao Filho, «adorado e glorificado com o Pai e o Filho» (4). É por isso que tratamos do mistério divino do Espírito Santo na «teologia» trinitária. Portanto, aqui só trataremos do Espírito Santo no âmbito da «economia» divina" (Catecismo da Igreja Católica, n. 685).

Essa é a experiência de nossa fé, sendo uma Pessoa, nós podemos nos relacionar com Ele [Espírito Santo], ser amigos, próximos e íntimos d'Ele. E é exatamente isso que essa Pessoa da Trindade deseja ardentemente de nós para poder nos revelar o amor do Pai e do Filho e o conhecimento dos dois. Esse é o primeiro grande benefício de sermos amigos dessa Pessoa Divina e nos aproximarmos d'Ele.

"O Espírito Santo, pela sua graça, é o primeiro no despertar da nossa fé e na vida nova que consiste em conhecer o Pai e Aquele que Ele enviou Jesus Cristo" (CIC n. 684).

O Espírito Santo de Deus é o nosso mestre de vida de oração, Ele nos ensina a rezar como convém, isto é, a alcançar na oração a vontade de Deus, que alimenta e plenifica a nossa alma. “Da mesma forma, o Espírito vem em socorro de nossa fraqueza, pois não sabemos o que pedir nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis” (Rom 8, 26).

"Ninguém conhece o que há em Deus, senão o Espírito de Deus” (I Cor 2, 11). Ora, o Espírito, que O revela, faz-nos conhecer Cristo, Seu Verbo, Sua Palavra viva; mas não Se diz a Si próprio. “Aquele que falou pelos profetas” faz-nos ouvir a Palavra do Pai. Mas a Ele, nós não O ouvimos. Não O conhecemos senão no movimento em que Ele nos revela o Verbo e nos dispõe a acolhê-Lo na fé" (Catecismo da Igreja Católica, n. 687).

Aproximarmo-nos desta Pessoa Divina e ser amigos d'Ele nos faz conhecer Sua Palavra e o Seu poder, só pelo Espírito Santo podemos dizer: Jesus Cristo é o Senhor. E pelo mesmo Espírito conhecer e experimentar o amor de Deus Pai.

O primeiro grande fruto da amizade com o Espírito Santo é a experiência do amor de Deus e a salvação em Jesus Cristo, proclamando Seu senhorio. Ninguém será capaz de dizer: “Jesus é Senhor”, a não ser sob influência do Espírito Santo" (cf. I Cor 12,3b).
Ele nos purifica dos nossos pecados. Manda teu espírito, são criados, e assim renovas a face da terra (Sl 104, 30). Ilumina e abre a nossa inteligência: o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo (cf. Jo 14,26). O Espírito Santo nos ensina a ser dóceis e a obedecer aos mandamentos do Senhor: "Porei em vós o meu espírito e farei com que andeis segundo minhas leis e cuideis de observar os meus preceitos"(cf. Ez 36,27)

Este Amigo Divino confirmará a esperança da vida eterna, pois Ele é o penhor da herança dada por Cristo Jesus: N'Ele acreditastes e recebestes a marca do Espírito Santo prometido, que é a garantia da nossa herança, até o resgate completo e definitivo para louvor da sua glória (Ef 1, 13-14). Ele revela aos nossos corações que de Deus nós somos filhos, devolve a dignidade e a convivência perdida pelo pecado original: "E a prova de que sois filhos é que Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: “Abbá, Pai!” (Gl 4,6).

Ele é o nosso conselheiro nas dúvidas e nos mostra qual a vontade de Deus: "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às Igrejas. 'Ao vencedor darei como prêmio comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus’ (Ap 2,7). Anima-nos e levanta-nos do abatimento: Deu-me o Senhor Deus uma língua habilidosa para que aos desanimados eu saiba ajudar com uma palavra. Toda manhã ele desperta meus ouvidos para que, como bom discípulo, eu preste atenção" (Is 50,4).

Ele é o nosso advogado contra o mundo, defensor contra o pecado e, principalmente, nos defende de nós mesmos quando não conhecemos os desígnios de Deus: "E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós" (cf. Jo 14,16-17). Sendo amigos do Espírito Santo, recorrendo a Ele, pedindo o socorro do Seu auxílio, chegaremos à vontade do Pai, cuja missão é imprimir em nossa alma, em nossa vida a Santidade: eleitos conforme a presciência de Deus Pai e pela a santificação do Espírito, para obedecerem a Jesus Cristo e serem aspergidos com o seu sangue (I São Pedro 1,2). Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação (I Ts 4,3).

Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, o fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança. Contra estas coisas não há lei (cf. Gl 5, 16. 22-23).
Padre Luizinho, sacerdote da Canção Nova 

DEUS NOS FAZ VENCEDORES

Naquele tempo, apresentaram a Jesus um homem mudo, que estava possuído pelo demônio. Quando o demônio foi expulso, o mudo começou a falar. As multidões ficaram admiradas e diziam: "Nunca se viu coisa igual em Israel". Os fariseus, porém, diziam: "É pelo chefe dos demônios que ele expulsa os demônios".
Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, e curando todo o tipo de doença e enfermidade. Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: "A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!"
 (Mateus 9,32-38).

Messe é a colheita de uma planta que está pronta para ser colhida, mas se não for colhida no momento, perde-se toda. É disso que Jesus está falando neste Evangelho. 

Ele fez uma viagem às cidades ao redor de Cafarnaum, indo em busca de almas, dos seus irmãos, filhos de Deus. Quando voltou à cidade, Jesus, vendo as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam "cansadas e abatidas como ovelhas que não têm pastor"

Jesus disse a seus discípulos: "A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos" (Mt 9,37). Ao dizer isso, Jesus havia percebido que sozinho não atenderia a todas aquelas pessoas e, provocando os apóstolos, disse a eles que amassem os irmãos como Ele os amava e acrescentou: "Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!" (Mt 9,38). 

Meus irmãos, essa situação é a mesma que estamos vivendo hoje. Muitas vezes, as pessoas que não querem saber de Deus são nossos filhos, pais, irmãos. Parece que caímos num desânimo. Não pare naqueles que não querem saber d'Ele, pois muitos vão lhe pedir que lhes tragam a Palavra do Evangelho como salvação. O Senhor está nos pedindo e, mais do que nunca, a Igreja está nos mandando ser sempre discípulos e missionários. Não tenha receio, não tenha medo.

O que precede a isso que Jesus nos diz é o fato de que apresentaram a Ele um homem mudo que estava possuído pelo demônio. Quando este foi expulso, o mudo começou a falar. Meus irmãos, isso quer dizer que quando a tentação vem sobre nós, ficamos mudos, amarrados, ao invés de irmos evangelizar. Quem recebe o dom de ser pregador, deve pregar, mas a evangelização que se faz pessoa a pessoa, "levando um papo" com o outro, funciona muito. Qualquer pessoa pode fazer isso: uma dona de casa, um colega de trabalho. 

O livro do Gênesis fala da luta de Jacó com Deus (cf. Gn 32,22-32). Jacó estava voltando para sua terra para encontrar-se com seu irmão Esaú, mas estava com medo da reação dele. Quando Jacó se viu sozinho, um homem apareceu para lutar com ele; era uma luta interior. Deus quis provar que ele era um lutador como foi desde pequeno, então lhe disse: "De modo algum te chamarás Jacó, mas Israel; porque lutaste com Deus e com os homens, e venceste". 

Você é um lutador, um vencedor e não pode se considerar um derrotado.Muitas vezes, somos pegos pelo medo, pelo complexo de inferioridade e a tentação, mas o Senhor está nos provando que somos lutadores e vencedores. Você pode vencer todos os seus complexos, todos os seus medos e tomar posse da sua intrepidez, da sua ousadia e evangelizar.

Cada um tem um mandato do Senhor. Se você foi posto por Deus para estar à frente de uma pastoral, assuma-a e não suma. Se Deus fez de você um evangelizador, o próprio Jesus mostrou que em casa vai ser difícil evangelizar, por isso, tenha coragem e comece a levar o Evangelho aos outros. Conte o que Jesus fez por você, isso será o mais importante para convencer as pessoas de que elas estão como ovelhas sem pastor. 

Ore comigo: "Deus me fez um lutador, um vencedor. Eu vou, Senhor, sem medo, sem me deixar vencer, levar o Seu Evangelho, porque a messe é grande. Põe em mim a sua compaixão pelos irmãos necessitados. Sou um lutador e serei cada vez mais um vencedor. Amém".

Monsenhor Jonas Abib

O SEGREDO DA ESPERA

É preciso esperar com confiança

Somos convidados pela Palavra para entender um grande mistério na vida do cristão: não ser atendido em sua oração. Não tem como esperar por aquilo que se enxerga; a nossa esperança é a de quem não vê o que se espera.

A esposa que espera a conversão do marido, reza há tanto tempo, mas não consegue enxergar o que virá. Da mesma forma, há aquela mãe que reza tanto para o filho, mas não consegue enxergar a mudança. Eu quero falar exatamente sobre isso: o tempo da espera.Muitos cristãos abandonam a fé nesse tempo. Com certeza, todos nós já fomos a um consultório médico e ficamos na sala de espera para depois sermos atendidos pelo médico. No entanto, muitos cristãos não sabem passar pela "sala de espera" da vida.

O que você tem esperado hoje? Talvez seja sua conversão, a volta do seu marido ou a libertação do seu vício. É preciso esperar com confiança. A escola de santidade acontece nesse tempo. Quem não sabe esperar não celebra a chegada [da graça alcançada]!

Aprendemos a não esperar na fila, usamos a internet para não perder tempo e não nos exercitamos no esperar. Quantas pessoas passam por problemas de dívidas financeiras, tentam dar um jeitinho, mas essas só crescem? Isso porque muitos não aprenderam a esperar em Deus. Há muitos cristãos que não souberam passar pela "sala da espera" da vida e ficam trocando de Igreja.

Quando não esperamos muito, não damos valor quando o esperado chega. É necessário esperar, mas precisamos aprender a fazer isso; não é fácil ver os anos passando quando não enxergamos a conversão dos nossos ou a pessoa amada chegar.

A espera a que eu estou me referindo, não é uma esperança acomodada, de ficar de braços cruzados, eu falo da espera ativa. E para ela Deus nos dá um instrumento. "Da mesma forma, o Espírito vem em socorro de nossa fraqueza. Pois não sabemos o que pedir nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis" (Rm 8, 26).

O "Instrumento" para essa espera é o Espírito Santo de Deus, que vem sobre a nossa fraqueza de não sabermos esperar, de não sabermos rezar nesse tempo [da espera]. 

No tempo da espera, quando precisaríamos estar cheios de esperança, o que chega até nós é o desespero. E com isso não conseguimos rezar, quando mais deveríamos rogar ao Pai. Há muita gente que, quando está envolvida pelo desespero, só consegue pedir ao Senhor para morrer, pois vê na morte a solução para os problemas. Infelizmente, nesses momentos de dor, pedimos coisas erradas a Ele, por isso Ele não nos atende. Muitas pessoas ficam com raiva de Deus, porque Ele não as atendeu. Sendo que foram elas que pediram errado. Precisamos aprender a pedir. A Palavra nos ensina como rezar nesse tempo difícil. Muitas pessoas não sabem aguardar com esperança.
Padre Fabricio Leitão, sacerdote da Comunidade CN