sexta-feira, 28 de junho de 2013

SUPERAR O SENTIMENTO DE DECEPÇÃO

Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus iam para um povoado chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido. Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. Os discípulos, porém, estavam como que cegos e não o reconheceram" ( Lc 24,13-16).

Nós, que ainda não temos sentidos para ver o Senhor, precisamos saber que, quando estamos na dor, no sofrimento ou em grandes alegrias, não estamos sós, Jesus está ao nosso lado como estava ao lado dos dois discípulos. A decepção cega e nos faz pessimistas. Aqueles dois eram discípulos, mas tudo o que aconteceu com Jesus – condenação e morte – decepcionou-os de tal maneira que ficaram cegos. 
A decepção é inevitável, não depende de nós. Quantos de nós se decepcionam e cultivam esse sentimento! O pior é que os efeitos dela aumentam dentro de nós com o passar do tempo. 

Nós temos de renunciar à decepção. Os seus sentimentos são de decepção? Quem disse que nós somos regidos pelos nossos sentimentos? É você quem deve dominá-los e não eles a você? Nós deixemos que sentimentos tão terríveis, tão tóxicos nos contaminem. Uma vez que ela nos pega, precisamos combater e vencer essa doença. As doenças da alma e do coração são muito piores do que as do corpo. 

"É impossível viver sem sofrimento", ensina monsenhor Jonas.


A decepção com pessoas e instituições ligadas à religiões e a Deus são piores, porque alguns acabam se decepcionando com a Igreja e, consequentemente, com o Senhor. Isso é terrível, porque, daí, vem o esfriamento e o afastamento. Como os discípulos de Emaús, você precisa superar esse sentimento, renunciando-o. Não que você vai negar que as pessoas erraram com você. Talvez elas até continuem erradas, mas é preciso que você não guarde esse sentimento em seu coração. Renuncie e salve a sua alma. 

Se os nossos inimigos soubessem como sofremos quando nos decepcionamos, ficariam contentíssimos, porque eles, ao contrário de nós, continuam levando a vida deles. Não tenha medo, renuncie às suas decepções; peça oração, peça que rezem com você pela cura do seu coração, dos seus sentimentos.

Os discípulos, decepcionados, entraram num pessimismo tremendo. Eles reconheceram quem era Jesus, mas ficaram tão cegos que a fé deles eclipsou, e tudo o que disseram ao Senhor foram coisas pessimistas. Mas Cristo "entra em cena" e começa repreendendo-os: "Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?" (Lc 24,25-26). Então, Jesus começa a fazer, novamente, toda uma catequese para eles. Quando os discípulos O convidam para ficar com eles e preparam a refeição, ao partir do pão, eles O reconhecem, mas o Senhor desaparece. Daí para frente, eles dizem aquilo que nos mostra o salmo de hoje. 

Meus irmãos, qual o jeito de sairmos da nossa cegueira espiritual, do pessimismo? É nos voltarmos para Jesus. Além de estar presente no Sacrário e na Missa, o Senhor está conosco quando estamos trabalhando. Até mesmo quando você está fazendo coisas erradas, Jesus está com você. O remédio para a decepção é Cristo. Mas, muitas vezes, fazemos o contrário, decepcionamo-nos e nos afastamos d'Ele. 
É impossível viver sem passar por decepções, porque não depende de nós. É impossível viver sem sofrimento, por isso temos de ser espertos e renunciar a eles.

O espinho entrou? Retire-o. É isso que Jesus está nos ensinando no dia de hoje. 

Senhor, que cada um de meus irmãos e irmãs tenham a graça de superar as próprias decepções e suas consequências a partir da cegueira espiritual e do pessimismo, o qual faz com que a pessoa adoeça e, muitas vezes, afaste-se da Igreja e de Ti. Senhor, toca, cura os meus irmãos, dá-lhes coragem de renunciar logo que sintam os primeiros sintomas da doença. 

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

ENQUANTO É TEMPO RETORNEMOS PARA O BEM

Temos tudo para sermos pessoas incríveis, porém, enquanto não nos aceitarmos como somos e ficamos desejosos muitas vezes de sermos o outro, nunca descobriremos nosso potencial.

Em Hebreus 10,10 lemos: “Foi em virtude desta vontade de Deus que temos sido santificados uma vez para sempre, pela oblação do corpo de Jesus Cristo”.

Vemos claramente mais uma vez que o próprio Deus tomou a iniciativa de nos mostrar que podemos ser pessoas amorosas, bondosas e cheia de amor, pois a morte de Jesus na cruz teve como fim também a nossa santificação.

Assim Jesus é o caminho para a santidade, caminho que Ele abriu com a sua própria vida. Portanto, não há desculpas para nosso afastamento desse caminho. Enquanto é tempo, retornemos para o bem, tendo como companheiro de jornada Jesus, que é verdade, que é vida, que é o caminho, que é paz!

Meu bom Senhor, que saibamos contar os nossos dias e bem administrá-los, privilegiando sempre as coisas que não passam. Fica conosco e dá-nos o sabor pelas coisas do espírito. Amém!
Padre Alberto Gambarini

quinta-feira, 27 de junho de 2013

NOSSA SENHORA PERPÉTUO SOCORRO

Hoje celebramos o dia de Senhora e Mãe do Perpétuo Socorro. Santo Afonso Maria de Ligório já louvava a Mãe do Perpétuo Socorro dizendo: “Louvada, amada, invocada, bendita eternamente sejais, ó Senhora do Perpétuo Socorro, minha esperança, meu amor, minha mãe, minha felicidade e vida minha. Assim seja.” Neste dia rezemos pedindo a intercessão de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro sobre a nossa vida:

Lembrai-vos, ó puríssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tem recorrido a vossa proteção, implorado o vosso auxílio e reclamado o vosso socorro fosse por vós desamparado. Animado eu, pois, com igual confiança, a vós, Virgem das virgens, como à Mãe recorro, em vós me acolho e, gemendo sob o peso dos meus pecados, me prosto a vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus humanado, mas dignai-vos de as ouvir propícia, e de me alcançar o que vos rogo. Amém.

Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, rogai por nós!

CURAR O CORAÇÃO MACHUCADO : A MÁGOA DISTORCE NOSSOS OBJETIVOS DE VIDA


O perdão é uma decisão pessoal que beneficia, em primeiro lugar, quem toma a iniciativa. O perdão é muito mais para mim do que para a pessoa que me ofendeu. Por isso, depende mais de mim do que dos outros.
Perdoar é recuperar o poder sobre si mesmo. A mágoa me coloca na mão do outro; o perdão me devolve a autonomia sobre minha própria história.
Perdoar é assumir o presente. Viver nele. Mergulhar nele. Perdoar é não sofrer por aquilo que não posso mudar ou resolver. Não podemos mudar o passado. Nunca!
Perdoar é concentrar suas atenções sobre as coisas boas da vida. Se algo ou alguém estragou o meu passado, não permitirei que estrague também o meu futuro. Perdoar é começar a valorizar as bênçãos de Deus, as coisas boas. É sair do vício de ver sempre as mesmas coisas, do mesmo jeito.
Perdoar é tomar a decisão de começar uma vida nova. O que fazer para sofrer menos? Isso exige buscar em primeiro lugar o reino de Deus. É decidir-se pela primazia do reino, e não do encardido. É optar pelo bem. Divulgá-lo. É aprender a sintonizar-se no bem.
“Abençoai os que vos maldizem e orai pelos que vos injuriam” (Lc 6,28). “Amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do Céu, pois Ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos” (Mt 5,44-45). Você não pode mudar um acontecimento do passado, mas pode mudar a maneira de falar sobre ele. Com Jesus é possível achar um ponto de vista mais positivo e esperançoso.
Recorde seus grandes objetivos de vida. A mágoa distorce os objetivos. Esquecemos as grandes e permanentes verdades e nos guiamos por momentos. Qual é mesmo a minha grande meta? Vocação!
A vida sempre segue adiante. Não pára. Devemos aprender a concentrar nossas atenções sobre as coisas boas da vida. Se já se estragou o passado, não permita que se estraguem o presente e o futuro. Não devemos sofrer por aquilo que não podemos mudar. Não podemos mudar o passado.
Ao machucar uma pessoa, você se torna inferior a ela; ao se vingar, você se iguala; só é superior quem aprende a perdoar. A mágoa foi o jeito que o encardido encontrou para permanecer conosco todos os dias, até os confins dos tempos. Padre Léo, scj

POR QUE NÃO DIGO A VERDADE ?



A verdade se esconde quando o amor tem dúvidas. Facilmente colocamos máscaras, disfarçamos comportamentos e vamos criando uma espécie de subpessoa. Coisa tão triste! Por isso é tão difícil viver num ambiente de desamor. Deixamos de ser quem somos, viramos uma caricatura de quem somos. Temos medo de que saibam quem somos!

A solução? Amor que começa em nós e vai, ao longo de muito tempo, desfazendo personagens, refazendo pessoas, estimulando a existência sem medos e grande aceitação.

Precisa ser amor que começa em nós, senão viramos caricatura de novo!

Meus Deus, que coisa difícil! Mas quando fazemos essa escolha, tudo fica mais fácil!

Coragem!

Ricardo de Sá

O PODER DAS PALAVRAS

O perdão concedido sem uma carta de acusações
Palavras podem nos devolver a paz ou nos roubar o direito da felicidade. Em cada letra existe a soma que será multiplicada numa equação que produzirá, na alma, o resultado das impressões captadas pelo nosso coração. Nem sempre é fácil fazer da palavra um bálsamo que cure as feridas e as marcas de um tempo de dores e sofrimentos. Muitas delas chegam como tempestades, arrancando a paz da alma. Outras chegam como uma brisa serena refrescando o calor das emoções que esperam o momento crucial para explodir em momentos de raiva.

Jesus fez da palavra uma maneira humana de devolver a vida aos territórios da alma que se encontravam secos e sem esperança. Nas palavras de Cristo está a chance de recomeçar e a alegria das possibilidades escondidas no recomeço que dependia da acolhida de cada ouvinte. No vocabulário da vida, cada pessoa encontrava o direito de trilhar outros contextos de uma história que poderia ser reescrita com as marcas de um novo tempo.
Ao longo do dia, pronunciamos uma infinidade de palavras; algumas nascem de nossas revoltas e contradições, outras já estavam guardadas no baú de nossas maldades, esperando somente o momento de desferirem o golpe fatal que deixaria marcas eternas na alma de alguém. O dicionário da alma pode produzir frutos de amor ou destruir canteiros de sonhos.
Quando o filho pródigo retornou para a casa do pai em busca de acolhimento, encontrou palavras de amor. O pai não lhe pediu explicações, pois ao olhar para o filho já sabia que sua vida tinha se tornado uma tristeza. Não era preciso dizer nada naquele momento, apenas o olhar amoroso já expressava o que era necessário.

Em muitos momentos, perdoamos a quem nos ofendeu. No entanto, precisamos, antes, apresentar uma lista dos erros de quem nos magoou. O perdão é concedido mediante a lembrança de um passado que não deu certo. Antes do perdão surgem as palavras que fazem a ferida da alma sangrar com mais força.

Diante do pecado da mulher flagrada em adultério, Jesus não pediu explicações. Perdoou e incentivou-a a não pecar novamente. O perdão foi concedido sem uma carta de acusações. A palavra de ternura a libertou dos erros passados e ela teve a oportunidade de recomeçar a sua história a partir de novos parágrafos de esperança.

Nossas palavras somente serão um bálsamo quando o vocabulário de nossa alma tiver a ternura da misericórdia do amor de Deus. Quem faz das palavras uma arma para ferir o próximo cria dentro do seu próprio coração um campo de batalhas que, aos poucos, vai exterminando a si mesmo.
Padre Flávio Sobreiro