quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

PROCURA-SE UM DESERTO

O deserto nos ajuda a compreender nossa missão
É preciso que se estude, um dia, o papel do deserto na vida do ser humano ou, ao menos, na vida de certas pessoas. Para uma legião de monges, ele se tornou um ideal, quase uma obsessão. Achavam impossível viver longe dele e, por isso, deixaram tudo e partiram para um mosteiro. Ali, na oração e no trabalho, não tinham em mente fugir do mundo, mas compreendê-lo melhor e colocá-lo em sua oração. Charles de Foucauld († 1916), nascido numa família aristocrática francesa, fez do deserto, no norte da África, o seu lar. Saint-Exupéry compreendeu melhor a terra dos homens depois que seu avião teve uma pane, vendo-se obrigado a passar dias e dias no deserto do Saara, completamente isolado de tudo. 
A lembrança desse silêncio o fez, um dia, escrever: “Eu sempre amei o deserto. A gente se senta numa duna de areia. Não se vê nada. Não se escuta nada. E, no entanto, no silêncio, alguma coisa irradia”. Claro que ninguém ama o deserto por ele mesmo, pois “o que o torna belo é que ele esconde um poço em algum lugar”. Quem nunca teve um avião não sabe o que é se sentir, de repente, num deserto, como Saint-Exupéry. Mas isso não nos impede de fazer essa experiência tão importante e renovadora, que foi escolhida pelo Senhor para preparar o coração de Seu povo antes da entrada na Terra Prometida: “Guiou o seu povo no deserto: pois eterno é seu amor” (Sl 136,16).
Cada pessoa tem condições de criar um deserto em torno de si mesma e, principalmente, em seu coração. Ali, na rica solidão de seu interior, saberá dar à sua vida, às pessoas que a cercam e a ela própria o devido valor. Aliás, nunca uma pessoa poderá compreender tais realidades se não se encerrar em si mesma.
O deserto é feito de silêncio. Não de um silêncio estéril, marcado apenas pela falta de barulho, mas de um silêncio que nasce dentro da própria pessoa, feito de reflexão e paz. Um silêncio feito de amor.
É necessário, de quando em vez, fazermos uma parada na vida. Parada semelhante à daqueles que, andando pelo deserto, ficam algum tempo no oásis que encontram. Saem dali refeitos, enriquecidos e animados. Também nós sairemos enriquecidos dos momentos de deserto que criarmos. Depois disso, teremos melhores condições de enfrentar a vida de cada dia, com seus problemas, desafios e solicitações. Sairemos de nossos desertos convictos de que, nesses tempos que periodicamente nos concedemos, longe de nos isolarmos num egoísmo estéril, criaremos melhores condições para estabelecer um encontro leal, profundo e sincero com nós mesmos, com os outros e com Deus.
Na vida de Cristo há vários momentos que testemunham o quanto Ele amava o deserto: “Logo em seguida, Jesus mandou que os discípulos entrassem no barco e fossem adiante dele para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. Depois de despedi-las, subiu à montanha, a sós, para orar. Anoiteceu, e Jesus continuava lá, sozinho” (Mt 14,22-23). Sua vida não era tranquila: as multidões O procuravam a toda a hora e em todos os lugares; pediam curas, exigiam Sua presença e Sua palavra. Ele atendia a todos com uma paciência que a outros conquistava. À noite, cansado, deixava os apóstolos descansando e retirava-se para longe. Suas noites de oração eram o Seu “deserto”.
Numa época e num mundo marcados pela agitação (ou pela dispersão), é urgente seguirmos o exemplo de nosso Mestre, procurando criar espaços de deserto. Justamente, porque as atividades nos absorvem, porque todos solicitam nossa presença e nossas responsabilidades se multiplicam; por isso precisamos de “desertos” em nossa vida, o qual nos dará maior unidade, nos tornará mais amigos de nós mesmos, e fará com que cumpramos melhor nosso papel no plano que o Pai tem para nós. Tempos de deserto não são de fugas, mas multiplicadores de nossas forças, tornando-nos mais eficazes.
Só quem já fez a experiência de deserto é capaz de valorizá-lo devidamente e de lhe dedicar um tempo que a eternidade recompensará.
Dom Murilo Krieger, scj 
Arcebispo de Salvador (BA)

COMO CUIDAR DO MEU INTERIOR

Jesus disse que onde estiver o nosso tesouro, aí estará o nosso coração, a nossa vida. E é fácil saber qual é o nosso tesouro; pois Jesus disse também que a boca fala daquilo que está cheio o coração.
Do que você tem falado? Só de dinheiro, de carros, de casas, de viagens? Onde está o seu tesouro, dentro ou fora de você?
Você é alguém muito importante e isto não é uma invenção minha, é algo decidido por Deus ao fazê-lo Seu “filho”. Mas é imprescindível ter consciência disso e construir a vida sobre este paradigma, esta verdade existencial, para que a sua vida seja construída sobre bases sólidas.
Você já sabe que a sua dignidade está nisto: você é “filho de Deus”. Mas é preciso interiorizar esta verdade, fazê-la descer da cabeça para o coração, para a vida; isto é, passar a viver guiado por esta realidade; tê-la como o valor central da vida.
Não basta você chamar a Deus de Pai no Pai-Nosso, viva isto. Faça esta oração com profundidade… reze isto com a sua vida.
Mesmo que você perca tudo, sempre lhe restará o “mais importante”, a sua identidade original que você carrega conscientemente. Esta será a sua grande liberdade, insuperável qualquer que seja a limitação física a que você esteja preso.
Saint Exupery exprimia dizendo que: “o importante é invisível aos olhos”.
Se o “seu valor” estiver no seu íntimo nada poderá atingir você. Sua felicidade não vai depender dos elogios e nem das críticas ou ofensas que receber. As vitórias e derrotas parecer-lhes-ão mais aparentes do que reais.
Quando é o nosso ego que nos põe a correr atrás dos castelos de areia e das joias de fantasia, pagamos um preço muito caro. De repente você se vê lutando contra o mundo, com medo de ser superado pelos outros e ultrapassado. Está sempre desconfiado, como se a qualquer hora fosse sofrer uma emboscada. Assim você vai pela vida, vencendo quem sabe à custa de “chutar os outros”, até que talvez encontre alguém mais forte do que você… Isto não é vida!
É claro que você precisa lutar para realizar tudo o que é bom para a sua vida e sua família, mas sem se preocupar demais com os resultados. Deixe-os “por conta de Deus”.
A lógica da vida é esta: o homem colhe o que planta. Plante coisas boas, com capricho e retidão, e os frutos serão colhidos naturalmente.
No mais, deixe Deus conduzir a sua vida para onde Ele quiser. Ele fará isso com uma decisão sábia e amorosa.
Prof. Felipe Aquino

ABRA-SE A VIDA NOVA

O Evangelho nos leva a uma reflexão: somos sempre conduzidos por Deus, guiados pelo infinito amor d’Ele por nós, reconduzidos ao seio da família quando nos desinstalamos de nossa própria terra, do nosso povo, da nossa família, para, juntamente, com um novo povo, seguirmos a vontade do Senhor a nosso respeito, formando, dessa forma, uma nova aliança de amor.
Isso serve para todos – para os casais, para os filhos, para os religiosos e religiosas, futuros sacerdotes, leigos consagrados… Assumir a filiação espiritual é condição essencial para vivermos a nossa vocação e seguirmos a voz do Pai, que se manifesta no próximo, constituído por Ele na nossa caminhada espiritual. Isso nos dá a graça de dizermos: ”Abba, Pai!” e de sermos saciados de nossas carências mais profundas de afeto, amparados nos clamores mais íntimos de nossa alma.
Jesus viveu longos anos ao lado da Mãe antes da vida pública, dependendo dela para aprender tudo, juntamente com seu pai, José. Hoje, o Senhor nos chama para nos abrirmos à vida nova, que representa, para nós, muito mais que apenas servir e obedecer às leis e preceitos dados por Ele para a nossa salvação, mas que significa nos encontrarmos envolvidos no abraço misericordioso do Pai, que nos acolhe como filhos. Os mandamentos nos foram concedidos pelo Senhor para vivermos na liberdade de filhos amados que somos, curados das nossas chagas de pecado para vivermos plenamente o amor.
Você pai, mãe, filho ou filha, abra-se à vida nova, a começar por esse abraço misericordioso do Altíssimo, que restaura em nós a imagem de filhos amados feitos para o amor e para a plena felicidade.
Jesus, eu confio em Vós!
Luzia Santiago

APRENDER A OUVIR A DEUS

Deus quer nos ensinar todas as coisas. Quando perguntamos, o Senhor começa a nos responder, e não pensem que essa resposta será como às vezes pensamos: que vamos escutar uma resposta do Senhor, “sim ou não”, “faça ou não faça”, “é isso ou aquilo”... 
A pessoa tem a impressão de que Deus deveria falar ao ouvido; mas não é assim! Outros pensam que a resposta do Senhor é forte, evidente. Porém as coisas de Deus são muito sutis, muito discretas. 
Deus quer que usemos a inteligência que Ele nos deu, quer também que ouçamos os conselhos de um bom e sábio orientador, mas isso depois de rezar para que tudo seja iluminado e guiado pelo Santo Espírito.
Santo Inácio de Loyola mandava seus filhos rezarem como se tudo dependesse de Deus, mas que trabalhassem como se tudo dependesse apenas deles. 
Quando nós aprendermos a ouvir a Palavra de Deus e não a voz das nossas emoções, das nossas empolgações, começaremos a acertar com o projeto de Deus.

Monsenhor  Jonas Abib

A CADA NOVO DIA SOMOS CHAMADOS A EXPERIMENTAR O AMOR DO PAI

A cada novo dia somos chamados a experimentar o amor do Pai, compartilhando com os irmãos a certeza de que a cada passo dado existe um Pai que zela por nós. Com Sua mão poderosa Ele nos guia, nos ampara e a nossa caminhada é suave, na direção certa.

Quando Deus enviou seu Filho único, para que com Sua morte de cruz redimisse os nossos pecados, Ele provou que o Seu amor e a Sua bondade são tão imensos que céus e terras se moveriam por nós. Por isso, hoje, vivemos com esta certeza que nos conforta e preenche de amor e paz o nosso coração.

A paz e a alegria da nossa vida estão totalmente ligadas à confiança que temos em Deus, tudo o que precisamos vem Dele. Estando com Ele estamos firmados em uma rocha que nunca se abala, temos auxílio sempre, é como lemos em Isaias 26, 4 “Tende sempre confiança no Senhor, porque o Senhor é o rochedo perene”.

Confiança é sinônimo de esperança, sabemos que Deus tem o poder para transformar nossa vida, nossa situação, cuidar de cada uma de nossas necessidades e por isto esperamos sempre sem desistir e sem duvidar.

Confiança é também sinônimo de gratidão, diante de toda a vitória prometida por Deus a nós, ficamos imensamente felizes e esta felicidade é certamente combustível para uma vida cheia de gratidão. Esta sempre pronto a agradecer é digno daqueles que percebem a grandeza da ação de Deus em sua vida. Confie e sorria sempre, Deus está cuidando de você!

Senhor,
dá-nos equilíbrio, sabedoria e inteligência
para sabermos organizar a nossa vida,
estabelecendo as prioridades corretamente.
Faz-nos levantar da nossa comunidade.
Amém!

Padre Alberto Gambrini

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

PAPA FAÇA DA RELAÇÃO DA EUCARISTIA COM A VIDA

Atenção com o próximo, reconhecer-se pecador e a coerência entre liturgia e vida são sinais que indicam como se vive a Eucaristia

Na catequese, Papa fala da relação da Eucaristia com a vida
Papa destacou necessidade de participar da Missa, da Eucaristia e se recordar dos irmãos mais necessitados / Foto: reprodução CTV
Como se vive a Eucaristia? A resposta a esta pergunta foi o tema abordado pelo Papa Francisco na catequese desta quarta-feira, 12, na Praça São Pedro. O Santo Padre falou da necessidade de participar da Eucaristia tendo atenção para com os mais necessitados, vendo neles a face de Cristo.
Francisco já havia falado da Eucaristia, que estabelece a comunhão entre o homem e Cristo. Hoje, o Papa falou de três sinais que indicam se o sacramento é bem vivido ou não pelos fiéis.
O primeiro sinal é a consideração pelos outros. Francisco lembrou que toda a vida de Cristo foi um ato de partilha, por amor ao ser humano. Ele questionou, a partir desse exemplo, como é a atitude dos cristãos na Missa.
“Agora nós, quando participamos da Missa, encontramos com homens e mulheres de todo tipo, mas a Eucaristia que celebro leva-me a senti-los todos como irmãos e irmãs? Impele-me a andar rumo aos pobres, marginalizados? Ajuda-me a reconhecer neles a face de Jesus?”.
Como exemplo, o Papa citou algumas situações sociais de dificuldade em Roma, como o sofrimento com a chuva, com a falta de emprego. Ele questionou se os fiéis se preocupam realmente com essas pessoas ou se na Missa a preocupação é só em reparar na roupa das pessoas, como acontece muitas vezes.
O segundo indício de uma boa vivência da Eucaristia é a graça de sentir-se perdoado e pronto a perdoar. “Quem celebra a Eucaristia não o faz porque quer parecer melhor que os outros, mas porque se reconhece sempre necessitado de ser acolhido pela misericórdia de Deus feita carne em Jesus Cristo. Devemos ir à Missa humildemente, como pecadores”, disse.
O Pontífice falou, por fim, da relação entre a celebração eucarística e a vida das comunidades cristãs. Ele ressaltou a necessidade de ter sempre em mente que a Eucaristia não é uma comemoração humana do que Cristo fez, mas é uma ação do próprio Cristo.
“É um dom de Cristo que se torna presente e nos acolhe para nutrir-nos”, disse o Papa, enfatizando a necessidade de coerência entre a liturgia e a vida.