domingo, 18 de maio de 2014


MARIA NOS ENSINA O CAMINHO ATÉ JESUS

O refrão do Salmo de hoje nos leva a uma profunda meditação: “Tu és meu Filho e hoje te gerei”. Este é o Filho de Deus gerado, por primeiro, no coração de Maria e depois em seu ventre. Você que é mãe sabe da importância de todo o processo de gestação e trata-se de um grande mistério de Deus. 

Maria, que tinha uns 16 anos, sentiu uma profunda alegria quando soube que seria mãe, naquela visita inusitada do anjo Gabriel. É uma responsabilidade ser mãe. Parabéns a você que assumiu. Mesmo depois do encontros entre os esposos é importante saber que cada criança parte de um desígnio de Deus. 

Neste fim de semana, somos convidados a profundar ainda mais a nossa fé no conhecimento e na intimidade com a Virgem Maria, ela é alguém especial que sabemos que podemos contar. Iremos trazer situações corriqueiras do nosso cotidiano, como por exemplo, ao recordar de quando éramos crianças toda vez que chorávamos a primeira pessoa que chamávamos era sempre pela mãe, pois ela é aquela que dá o carinho e também aquela que está atenta ao seu filho. 

Quantas situações que vocês mães, vivem com seus filhos, sejam de alegrias, mas também de tristezas? Muitos de nós, homens, não fazemos ideia do que isto significa, pois existe um mistério sobre toda e qualquer mulher. 

Jesus, que era o Verbo Encarnado, pela força do Espírito Santo é gerado no ventre de Maria e Jesus não era qualquer criança, mas graças ao sim de uma simples mulher, a humanidade participa do plano salvífico de Cristo. Somos convidados a nos aproximar de Maria, como filhos. Pode ser que por termos crescidos e nos deixarmos de sermos crianças, nos afastamos daquela que pode nos ajudar em nossa caminhada. Portanto, você e eu somos convidados a ser aproximar de Maria. 

Nas Bodas de Caná, por exemplo, Maria percebeu a falta do vinho e como mulher atenta aos detalhes, viu que aquilo acontecera. Percebendo que o principal elemento da festa tinha acabado foi ter com Jesus. Ela se adiantou e ainda disse aos serventes: “Fazei tudo o que ele vos disser” e Jesus transforma aquela água em vinho. 

Talvez o vinho que lhe falta é o vinho da verdadeira alegria. Esta faltando o vinho da alegria? Peça a Mãe, estejamos debaixo do colo da Mãe e clamemos o seu consolo. Por isso, lembremos das nossas mães aqui da terra e tenhamos o devido respeito. Aproveite os momentos que você tem com sua mãe para que através dela, seja refletido o amor da Mãe do Céu. Qual filho que não gosta da comida da mãe? São este pequenos gestos que refletem o carinho de Nossa Senhora por nós. 

Uma vida religiosa ou cristã não é uma vida teológica ou filosófica, mas uma vida simples, trilhada pelas humildade mariana que nos leva até Jesus. Maria nos aproxima do Senhor e nos acalenta diante de tantas realidades que vivemos. Com ela aprendemos a ter a maturidade e a intimidade verdadeira de filhos do Céu. 

Se você, como filho que é, quer um colo? Pede a Nossa Senhora, pois como mãe ela também lhe ensinará o caminho que chegue até sua mãe terrena. Maria nos ajuda a sermos filhos de nossas mães. Ela ainda nos ensina o caminho da santidade, por exemplo, ao lermos a vida de alguns destes santos vimos que eles eram devotos de Nossa Senhora, que lhe ajudara no anúncio da Boa Nova de Cristo. 

O desafio que travamos hoje são grandes, mas é grande também a graça que derramada sobre nós. E, como cristão somos chamados a anunciar a Cristo e fazer com que Ele seja refletido através de nós. 
Padre Paulinho 
Sacerdote da Comunidade Canção Nova

JOÃO PAULO II


Nesta imagem São João Paulo II está em oração, na casa do então arcebispo do Rio, Dom Eugênio Salles. O curioso desta imagem é que não estávamos em um período quaresmal e mesmo assim este santo homem segue rezando a Via Sacra.

Que possamos, assim como o Patrono das Famílias, manter nossos olhos em Cristo e nosso coração orante. Porque é por meio da oração que nos mantemos fortes frente às tribulações da vida.

AFEIÇOAI-VOS ÁS COISAS DO ALTO

Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória." (Colossenses 3,1-4)

Essa Palavra acontece, em nossa vida, quando não buscamos as coisas do Alto, mas as coisas da Terra. Nós nos deparamos, muitas vezes, com coisas que são terrenas como cenas pornográficas, canais de televisão que exibem baixarias, músicas que desvalorizam as mulheres etc. Muitas pessoas recorrem às coisas que não são do Céu, coisas que não estão na Bíblia.

Os conselhos dados na Bíblia são para que fiquemos longe de outras extremidades que nos afastam da presença de Deus. Nós devemos nos cuidar, pois essas baixarias estão entrando em nossa casa, prejudicando a formação de nossos filhos.

Deus nos dá um belo conselho: "Buscai as coisas do Alto!". O homem novo precisa nascer em nós! "Afeiçoai-vos com as coisas do Alto". A Palavra do Senhor está nos dizendo que precisamos nos afeiçoar às coisas do Pai, sermos semelhantes a Ele. Se formos pesquisar, no dicionário, a palavra "feição", veremos que seu significado é: "aspecto exterior, aparência; forma, figura".

Quando passamos pelo batismo, ao nascermos, somos mergulhados na pessoa de Deus, no Seu Espírito. A partir do batismo, temos a oportunidade de nos afeiçoarmos às coisas boas d'Ele. Deus sempre nos dá a capacidade de buscá-Lo. 

Para onde Deus quer que você vá? Para o lado d'Ele! A Palavra recebida não é para ser guardada apenas para nós, mas testemunhada aos demais! Devemos transformar as coisas da vida em cores, vida e sabor. Somos a luz para aqueles que estão nas trevas! Nós precisamos potencializar as pessoas com o desejo do bem que trazemos em nosso coração, pois elas precisam disso!

Você tem coisas melhores para fazer. Pode cuidar da sua família, pode ler, correr, selecionar aquilo que vai assistir na TV, buscar coisas boas. A palavra, em inglês, "power", do controle remoto da sua TV, significa "poder" em português, isso quer dizer que você tem o poder de selecionar as coisas boas que você deve assistir.

Nós não precisamos nos afeiçoar às coisas ruins. Selecione as coisas boas que você quer ver e ouvir. Selecione as amizades, os programas de TV, as músicas etc. "Afeiçoar" quer dizer "buscar as coisas do Alto". 

O mundo parece estar se acostumando com a falta de respeito. Nós precisamos ser luz e sal para a Terra. As Palavras de Deus convencem, mas os testemunhos arrastam!

Esse Espírito Santo, que foi colocado em nosso batismo, habitou, mergulhou em nós, mas precisamos percebê-Lo para que Ele aja em nós. Você é gente do bem, você vem de Deus!
Dunga 
Comunidade Canção Nova

A FORÇA E SENSIBILIDADE DA MULHER

A alma feminina é uma mistura de delicadeza e força com razão e sensibilidade
Era uma tarde de verão parecida com tanta outras. O ar puro e o balanço das árvores, que nos fazia companhia assim que deixamos a cidade grande, inspirava liberdade. O tempo começava a ficar estranho ou “bonito para chover”, mas era tão longe… “Não precisávamos nos preocupar!” Pensava eu com uma pontinha de desconfiança, lá no fundo da alma feminina, que oscila entre razão e sensibilidade.
De vez em quando, eu olhava orgulhosa para meu esposo, que, de mãos fixas no volante, parecia desbravar cada quilômetro da estrada com uma conquista. Entre palavras e risos, seguimos nós dois e uma amiga em comum. Até que, de repente, a chuva, que parecia longe, nos alcançou como uma tempestade daquelas que só vemos nos filmes. O nosso estado de ânimo também mudou de repente. Agora, estávamos preocupados com o que poderia acontecer a qualquer momento, já que a forte chuva, misturada com vento e granizo, nos impedia de ver um metro a nossa frente. Os carros começavam a parar na própria via e todos tinham de se ajudar, tomando decisões rápidas e certeiras. Qualquer vacilo poderia causar um desastre!
Provavelmente, você está ansioso para saber o resultado desta aventura, não é verdade? Fique tranquilo, pois, graças a Deus, deu tudo certo! Aliás, foi maravilhoso! Nós conseguimos, juntos, superar os riscos e vencer os desafios.
A alma feminina, embora terna, vibra com desafios e riscos. Somos assim: um misto de delicadeza e força, razão e sensibilidade. “Então chegou o dia em que o risco necessário de permanecer apertada em um botão era mais doloroso que o risco necessário para florir…” (Anaïs Nin).
Quando chega este dia, a mulher anuncia ao mundo que está viva e arranja, no mais íntimo do seu ser, a coragem para florir! Basta, por exemplo, ver um filho doente, que a mulher desabrocha e se doa sem medidas, enquanto exala amor e a esperança em forma de cuidados. E quando a dor da perda a vista, muitas vezes, ela consegue renascer dos escombros e continuar florindo, embelezando novos jardins. O fato é que a mulher tem força e sensibilidade impressas na alma.
João Paulo II, em sua Carta às Mulheres, em 1995, diz que, pelo simples fato de sermos mulheres, com a percepção que é própria da feminilidade, enriquecemos a compreensão do mundo e contribuímos para a verdade plena das relações humanas. É de se perguntar: mas como enriquecer a compreensão do mundo pelo simples fato de ser mulher?
A Bíblia narra, em Gênesis 2, que Deus criou todas as coisas e ofereceu tudo ao homem, mas nada satisfazia o coração dele. Então, o Senhor criou a mulher com tudo que lhe é próprio. Quando o homem a viu, ficou tão extasiado diante dela, que fez a primeira e a mais linda declaração de amor que conhecemos: “Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; será chamada “Isha”…”, que no hebraico significa mulher, ajuda. A partir de então, o homem andava feliz, e tudo tinha um novo sentido. Deus havia lhe dado uma companhia adequada para partilhar suas lutas e vitórias pelo resto da vida.
O Senhor faz tudo com perfeição, criou a mulher completamente diferente do homem, para que um completasse o outro. Basta observar em nosso corpo, por exemplo, que cada membro tem sua finalidade específica; e não para por aí. Nossa maneira de ser e agir também são completamente diferentes. Saber respeitar essas diferenças e tirar bom proveito delas é uma arte que precisamos praticar todos os dias se desejarmos uma vida mais feliz.
Costumo dar risadas do meu marido, quando peço para ele pegar alguma coisa na gaveta da cômoda, por exemplo. Geralmente, por mais que eu lhe explique com detalhes onde está o objeto, ele volta minutos depois afirmando que não achou e que, certamente, eu estou enganada. Porém, se eu mesma me levantar e for ao local, encontro o objeto exatamente onde eu disse que estava. Você já viveu algo assim? Fique tranquila, seu companheiro não tem problemas de vista.
Segundo os pesquisadores Allan e Bárbara Pease, homens e mulheres evoluíram de formas diferentes. Os homens, durante a pré-história, eram responsáveis pela caça e as mulheres ficavam na caverna, cuidando da prole. Como caçador, o homem precisava ser capaz de identificar e perseguir alvos distantes. Desenvolveu, assim, uma visão focal, tipo “túnel”. Já a mulher precisava de um raio de visão que lhe permitisse perceber algum predador se aproximando, uma visão periférica mais ampla. É por isso que o homem moderno consegue facilmente encontrar um caminho mais fácil para chegar em casa, mas tem muita dificuldade em achar qualquer coisa na geladeira ou no armário. Sua visão é focal, não ampla.
E nós mulheres, será que temos algum limite na visão? Os pesquisadores nem precisam ter o trabalho de estudar o caso, nós mesmas já descobrimos, na prática, que nossa visão é bem ampla, mas nada focal. Eu, por exemplo, nunca acho que as panelas cabem todas no armário da pia; organizar a mala, então, é um desafio daqueles. Porém, para meu esposo é uma tarefa super fácil. Ele dá uma olha no espaço e vai como que fazendo uma mágica diante dos meus olhos; em pouco minutos, tudo fica pronto e com espaço de sobra! Diferenças que se completam! Minha razão feminina não sabe explicar, mas minha sensibilidade agradece.
Não consigo imaginar o mundo sem essa parceria entre o homem e a mulher. E isso, ao meu ver, vai muito além da questão de “ser mais ou menos”, “melhor ou pior”, é reconhecer quem realmente somos e procurar viver de acordo com a vocação que recebemos ao sermos criados. Não deixemos que nos roube o maior tesouro que temos, nossa originalidade!
As mulheres foram criadas para “completar” e não para dividir. Na Carta às Mulheres, o beato João Paulo II já citada isso. Ele faz um agradecimento à mulher que vale a pena ser recordado: “Obrigado a ti, mulher-esposa, que unes irrevogavelmente o teu destino ao de um homem, numa relação de recíproco dom ao serviço da comunhão e da vida. Obrigado a ti, mulher-mãe, que te fazes ventre do ser humano… que te torna o sorriso de Deus pela criatura que é dada à luz, que te faz guia dos seus primeiros passos, amparo do seu crescimento, ponto de referência por todo o caminho da vida. Obrigado a ti, mulher-filha e mulher-irmã, que levas ao núcleo familiar e, depois, à inteira vida social, às riquezas da tua sensibilidade, da tua intuição, da tua generosidade e da tua constância”.
Que a razão de sermos mulheres, segundo os desígnios de Deus, impulsione nossa sensibilidade para levar ao mundo um sinal de esperança e vida. Não tenhamos medo de florir!
Sim! Chega um momento em que é preciso deixar de ser apenas botão, e este momento é agora! “Então, desabrocha a ‘rosa’e encanta o mundo com tua beleza! Perfuma o jardim em que fostes plantada e lembra-te, que sendo quem tu és, atrairás, a cada amanhecer, os raios do sol que te fará plena e feliz. Vive, hoje, esta aventura e revela ao mundo a autenticidade do teu Criador. És mulher, tens beleza, tens valor!”

Dijanira Silva

A INTERCESSÃO ONIPOTENTE DE MARIA

Maria, irá nos ajudar a receber um coração novo, mas devemos escolher o caminho correto. Você quer receber um coração novo, uma renovação em sua vida espiritual?

“Eu vos retirarei do meio das nações, eu vos reunirei de todos os lugares, e vos conduzirei ao vosso solo. Derramarei sobre vós águas puras, que vos purificarão de todas as vossas imundícies e de todas as vossas abominações. Dar-vos-ei um coração novo e em vós porei um espírito novo; tirar-vos-ei do peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne. Dentro de vós meterei meu espírito, fazendo com que obedeçais às minhas leis e sigais e observeis os meus preceitos. Habitareis a terra de que fiz presente a vossos pais; sereis meu povo, e serei vosso Deus” 
(Ezequiel 36, 24-28).

O que significa um coração novo? Um coração renovado em Deus! Meus irmãos, é tempo de nos alegrarmos com a presença da Santíssima Virgem Maria, a mulher perfeita! Sem ela é impossível que sigamos caminhando em nossa fé!

O Senhor Jesus quer tirar muitas pessoas que estão presas em sua fé, estão presas em falsas esperanças, falsas intercessões. Chegou o tempo de sacudir a poeira da nossa fé e renová-la com a autêntica presença da Virgem Maria!

O que estamos fazendo por Deus? Não diga que não pode fazer nada, pois a Virgem Maria vem ao nosso encontro para nos ajudar. A dignidade de Maria é quase que infinita.

Todos nós passamos por problemas e não devemos temer em pedir ajuda a Maria, pois as falsas intercessões querem nos afundar cada vez mais. Maria é a mãe dos médicos, dos profissionais, ela sabe do que precisamos! A primeira anunciação foi a do Anjo Gabriel à Virgem Maria; ele foi o intercessor de Deus.

Imaginem o coração de Maria, porque o coração de uma mãe é gigantesco! No coração da Virgem Maria há lugar para todos nós, de todas as gerações. Não fiquemos somente na teoria, precisamos entender que Nossa Senhora é a nossa Mãe, é onipotente e precisamos experimentar deste amor.
O coração de Maria é quase que infinito e qualquer pedido feito à ela é guardado as sete chaves e entregue ao coração de seu Filho Jesus. Precisamos de uma Mãe lá no céu, para que ela nos lembre de que vale muito a pena ser de Deus!

Quando clamamos – “Ave Maria” – não é só ela que vem ao nosso encontro e sim todos os anjos! O nome de Maria é um nome santíssimo, que significa: “senhora”. A dignidade de Nossa Senhora vem de Deus, ela merece todo o respeito. Se a sua devoção a Nossa Senhora for sincera, ela te atenderá! O nome de Maria faz tremer o inferno, clame o nome dela com toda a fé, ela vai saber exatamente do que você está precisando!

O nome dela também significa: “estrela do mar”, aquela que vai marcando o caminho em meio as tempestades, pois a missão dela é cuidar daqueles que estão mais perdidos. Se você está necessitado de cura, deixe que Nossa Senhora te conduza aos caminhos de Jesus!

Confiemos a Nossa Senhora todas as nossas feridas, nossas dificuldades, ela irá interceder por todas nossas dores!
Padre Alexandre Paciolli 
Legionário de Cristo

sábado, 17 de maio de 2014

JOÃO PAULO II E A DEVOÇÃO A VIRGEM MARIA

É importante desde o inicio compreendermos que não existe nenhuma competição entre Jesus e Maria. Dando amor a Maria, não estamos diminuindo em nada o amor a Jesus. 

Quero apresentar a vocês o pensamento de São João Paulo II. Ele teve uma escola de devoção à Virgem Maria, no livro chamado: “Tratado da verdadeira devoção à Virgem Maria”, esse livrinho foi a escola de santidade de João Paulo II. Muitas pessoas encontraram neste santo um farol, um modelo de santidade a ser seguido. 

Lembro-me que na época em que João Paulo II estava enfermo eu ficava noites em claro buscando as notícias deste santo, porque eu não queria perder o momento da Páscoa deste santo dos nossos tempos. 

Deus tem seus caminhos, ele faleceu no sábado as vésperas do 2º Domingo de Páscoa, Domingo da Divina Misericórdia. Unindo-se assim as duas devoções em um dia só, o sábado que é dedicado a Virgem Maria e o domingo da Misericórdia, Festa instituída por ele a pedido de Jesus a santa Faustina. 

O Papa João Paulo II reuniu o maior número de pessoas da história da humanidade, 6 milhões de jovens em Manila nas Filipinas. Ele foi um Papa que nadou contra a corrente. Este homem entregue totalmente a Jesus Cristo se configurou a ele. 

No brasão de João Paulo II estavam representados os dois corações que nos amaram. A cruz dourada de Nosso Senhor, que nos amou divinamente com coração humano, e um M de Maria, a co-redentora que nos ama profundamente. 

João Paulo II usou essa expressão “co-redentora” sete vezes, vamos explicar. A Igreja viveu um século de ouro da Mariologia. Nunca a Igreja se desenvolveu tanto na Mariologia como neste século. E nesta mesma época aconteceu duas aparições reconhecidas pelo magistério da Igreja, a de Lourdes e a de Fátima. 

Existem dois dogmas de Maria nela mesma, de mãe de Deus e da Virgindade perpétua. Porém ainda faltava a parte de Maria para conosco. O que Maria é em relação a nós? Maria é mediadora de todas as graças, todas as graças vem a nós por meio de Maria. Ela participa da redenção, por isso é co-redentora, pois participou da redenção como nenhum outro santo participa. 

Maria é membro da Igreja, mas também é mãe da Igreja. Parece contraditório, mas não é. Quando olhamos Maria em relação ao Pai ela é como nós, mas com relação a Jesus ela é mãe, portanto é mais, é nossa mãe. 

Durante o Concílio Vaticano II alguns padres queriam essas duas aprovações a respeito da Virgem Maria, como o Concílio era pastoral e ecumênico, não foram aprovados estes dogmas. Depois do Concílio a teologia sobre Nossa Senhora foi diminuindo, até chegarmos a década de 80, em que certo teólogo afirmou que estávamos na “era glacial da Mariologia”. Até vir o Papa João Paulo II, o papa Mariano que quis reacender nossa devoção a Mãe de Deus.

Maria aos pés da cruz, co-redentora. Não há salvação em outro nome a não ser em Jesus Cristo. Quando chamamos Maria de co-redentora não estamos dizendo que ele salvou metade ou 99% da humanidade e Maria salvou a outra parte. Não é isto! Jesus salvou toda a humanidade, 100%. 

Deus poderia fazer com que redenção viesse ao mundo por um decreto. Ele poderia nos salvar por um decreto, um estalar de dedos, mas ele não quis fazer isso. Seria humilhante para o homem. O pecado entrou no mundo por um homem e era necessário que o pecado fosse retirado do mundo por um homem. 

No início não estava apenas o homem no jardim quando pecaram. Teologicamente, de acordo com os padres da patrística, Jesus é chamado de Novo Adão e Maria Nova Eva, isso é desde o tempo dos Apóstolos. A perdição entrou no mundo por Adão, a salvação entrou no mundo por Jesus. Bem como a perdição entrou no mundo por Eva a salvação entrou no mundo por Maria. 

Um anjo visitou uma virgem, prometida em casamento a um homem, quem é esta mulher? Eva. A mulher que foi visitada por um anjo, e este anjo era Satanás e a desobediência entrou no mundo. Anos mais tarde, um anjo visitou uma virgem, prometida em casamento. Quem é esta mulher? Maria que foi visitada pelo anjo Gabriel. E a salvação entrou no mundo. 

No céu Deus não poderia padecer, não poderia sofrer uma paixão e morte, porque no céu não se sofre, no céu ninguém morre. Em sua bondade divina, deus quis que Maria colaborasse dando a Cristo o corpo que ele ia sacrificar na cruz.
Quando Maria vê Jesus morrer na cruz, ela cumpre a profecia de Simeão, que havia dito na apresentação de Jesus no templo que uma espada de dor lhe transpassaria a alma. Imagine a dor do coração Imaculado de Maria o quanto sofreu por seu filho. 

Um dia havia uma Virgem ao pé de uma árvore que queria pegar o fruto para si e ser como deus. Assim estavam Adão e Eva, quiseram para si o Dom de Deus, desejaram agarrá-lo para si. 

“Ele tinha a condição divina, mas não se apegou a sua igualdade com Deus. Pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-se semelhante aos homens. Assim, apresentando-se como simples homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz!” Filipenses 2, 6 – 8 Adão e Eva não eram deuses, mas quiseram ser deus. Jesus era Deus e não se apegou a sua condição divina. Adão era homem e se fez deus. Jesus era Deus e se fez homem. 

Milhares de anos depois estava a mulher ao pé de uma árvore e lá estava o fruto de seu ventre. Ela não se apegou a ele, ela o deu, o ofereceu. E por essa razão Maria é a nova Eva. Compreendem que Maria não é apenas uma santa da Igreja, existe uma participação qualitativa de Maria na salvação. 

João Paulo II com seu brasão, Maria aos pés da cruz, nos convida a voltarmos a fé, a devoção na Virgem Maria. Todos estavam com medo da fé na Virgem Maria, mas o santo dos nossos tempos no chama a reacendê-la. 

Deus nosso Pai criador, nos chama a a ser colaboradores de Deus na criação, com os pais que geram seus filhos. Como podemos aceitar com clareza que nós simples humanos somos colaboradores na criação e não podemos aceitar que Deus quis se utilizar da criação, Maria, na salvação? 

Assim como a lua não tem luz própria, assim é Maria, ela reflete a luz que vêm de Deus. Ela é como a lua. 

Você pode pensar: “Por que não vamos diretamente no sol?”, tudo bem você pode ir, mas cuidado para não queimar a sua retina. 

Vamos a Maria primeiro, porque o pecado original nos faz ter medo de Deus, assim como Adão e Eva após o pecado no paraíso; quando Deus desce na brisa da tarde eles tem medo de Deus. Quando nos colocamos debaixo do manto de Nossa Senhora estamos acolhendo a solução que o próprio Deus já nos deu. Na Palavra de Deus diz da mulher grávida, prestes a dar a luz a um filho e a antiga serpente está esperando essa mulher dar a luz a um filho ele está pronto a devorar. Esta mulher é Maria.

Intelectualmente entregamos nossa vida para Deus, mas em nosso coração não. Precisamos entregar a Maria, assim não temos meso. Ela é uma mulher pobre e não fica com nada para si, automaticamente entrega a Jesus. Quando entregamos a Maria entregamos nosso coração também. 

Intelectualmente eu sei que o amor de Deus é infinito, é perfeito. Mas dentro do coração não compreendermos e isto é consequência do pecado original. Quando entregamos algo a Deus, a cabeça compreende, mas o coração esperneia. Não deveria ser assim, mas é! E Deus sabe de nossa limitação. Mas nada pode abalar o senhorio de Jesus, nem nossa entrega a Maria, porque ela não retém ela nos entrega a seu Filho. 

O problema não está no sol, mas nos meus olhos. Porque são sensíveis e olhar diretamente para o sol queima a retina. O problema não está no amor de Deus, mas na minha limitação, reflexo do pecado original que ficou em mim. A consagração á Virgem Maria pelo tratado, é a consagração a Jesus, sabedoria encarnada. O que na verdade se quer com a consagração á virgem Maria é que as pessoas se submetam ao senhorio de Jesus pelas mãos da Virgem Maria. 

Muitas pessoas não compreendem quando Jesus chama a Virgem Maria de “mulher”, pensam que é um descaso de Jesus. Mas o que ele disse ao chamá-la assim, é que Maria não é uma mulher qualquer, mas que ela é A MULHER, desde o início prevista, a qual colaboraria com a salvação. E se repete a cena do Jardim do Édem, a mulher ao pé da árvore que agora não toma para si o fruto, mas o entrega. 

Naquele momento da cruz, Jesus entrega Maria ao filho, e entrega o filho a mãe. A partir daí João acolhe Maria em sua intimidade. Desse modo Jesus “passou a perna” no diabo. Como não há céu sem cruz Deus sabe os meios para que seus filhos abracem a cruz para chegarem a salvação. Sabendo que nos entregando a Maria não mais teríamos medo da cruz, não teríamos medo de nos entregar a Deus, Jesus a dá por nossa mãe. 
Padre Paulo Ricardo 
Sacerdote da Arquidiocese de Cuiabá (MT)