quinta-feira, 9 de agosto de 2012

AS FASES DA FIDELIDADE CONJUGAL

O verdadeiro amor é construído dia a dia

Havia um senhor que, todas as manhãs, ia tomar café com sua esposa, a qual se encontrava internada em um asilo. Certa manhã, este senhor estava esperando o ônibus. Quando olhou para o lado, viu um amigo seu que se aproximava. Cumprimentaram-se e o senhor convidou seu amigo para sentar-se ao seu lado. Contou ao amigo sobre sua jornada matinal de todos os dias. Ouvindo-o atentamente, este amigo lhe perguntou:
"Por que, todas as manhãs, você vai tomar café com sua esposa, se ela não se lembra mais quem é você? Ela tem Alzheimer!" Nisto, aquele senhor virou-se e, olhando profundamente nos olhos de seu amigo, disse-lhe:"Ela pode não se lembrar de quem eu sou, mas eu me lembro de quem ela é e do compromisso que nós assumimos perante Deus!"

Em uma sociedade com tantas propostas de felicidade, esta pequena história nos ensina o valor da fidelidade nas relações conjugais, em todos os momentos da vida: na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias, manhãs, tardes e noites da vida a dois. A fidelidade entre o casal começa no período de namoro, momento propício do conhecimento, tempo de construir uma relação madura e humana. Estação de semeadura das flores que, um dia, irão florir nos canteiros de uma vida conjugal sacramentada pela bênção de Deus. 
A fidelidade no casamento é fruto da fidelidade no namoro. A busca pelo que é essencial no casamento deve sempre ser maior do que é periférico. Muitos relacionamentos conjugais se estacionam em sentimentos periféricos, os quais não trazem nenhum benefício para quem busca construir uma vida de amor partilhado. O amor, que um dia os uniu, acaba sendo deixado de lado por desentendimentos não resolvidos, pela falta de diálogo e compreensão de ambas as partes.

Fidelidade nas alegrias da vida, mas também nos momentos de tristeza. Fidelidade na saúde e também na doença. O verdadeiro amor é construído dia a dia na vida do casal. A cada nova manhã, marido e mulher são sempre convidados a renovar a fidelidade um ao outro e a redescobrirem o motivo que, um dia, os levou ao altar: o amor que os uniu por toda a vida.

Uma verdadeira experiência da fidelidade conjugal passa pelo processo da gratuidade do amor. Marido e mulher, que cobram amor um do outro, estão negociando seus sentimentos. A própria palavra “cobrança” revela, em si mesma, seu significado: só cobramos algo de alguém quando há uma dívida pendente. O amor conjugal não é negócio, mas pura gratuidade, doação e entrega. Quando as cobranças começam, o relacionamento entra num processo de contabilidade, no qual o saldo final sempre será negativo.

A cada novo dia, a cada nova manhã, o amor e a fidelidade devem ser renovados. Novas esperanças devem ser semeadas no jardim da vida a dois. Esposo e esposa devem cultivar, em conjunto, no canteiro da alma, o amor que os uniu
 um dia. Descobrir que o outro não é tão perfeito como se imaginava, é um exercício de paciência que só poderá ser vencido com as flores da paciência, do diálogo e do perdão. 

No casamento, a fidelidade nasce da simplicidade da partilha a dois. Cada casal é sempre convidado a descobrir, na simplicidade da vida a dois, o espetacular da vida matrimonial. 
Padre Flávio Sobreiro

CHEGOU A HORA DE AFIRMARMOS NOSSA FÉ EM JESUS



Querem nos impor um outro 'cristo' que não é Jesus. Com muito jeito e com muita persuasão, querem nos fazer esperar outro 'cristo'. Dizem mesmo que a humanidade inteira sempre esperou por um messias, mas não percebeu que não existiu apenas um, mas vários, dentre eles Jesus. Dizem até que Ele permaneceu por trinta anos no Oriente para adquirir conhecimentos. Tudo para confundir os próprios cristãos.
Pura invenção! Os Evangelhos falam claramente da origem de Jesus Cristo: “Não é ele o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos não são Tiago, José, Simão e Judas? E suas irmãs não estão todas conosco?” (Mt 13,55-56a).
Essa é a hora de afirmarmos nossa fé em Jesus, o Filho Único de Deus. Por amor a nós, Ele despojou-se de Sua divindade. Nunca deixou de ser Deus, mas se despojou de Sua natureza divina. Veio ao mundo, fez-se homem como nós: assumiu a nossa humanidade em tudo, menos no pecado (cf. Hb 4,15b).
Tomou nossas dores, nossos trabalhos, nossas dificuldades, nossa pobreza. Passou a vida pregando o Reino de Seu Pai, trazendo-nos a verdade. Foi vítima de Seus inimigos. Tramaram contra Ele, quiseram prendê-Lo, condená-Lo, mas Ele se entregou livremente. Morreu na cruz para comprar vida por vida. Para comprar a nossa vida, Jesus deu a própria vida. Não fomos comprados por ouro ou prata, mas pelo Sangue de Jesus Cristo. É nesse Jesus que nós cristãos acreditamos!

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

NOSSAS FERIDAS NOS LEVAM PARA DEUS

A nossa vida é uma constante busca. Mesmo que não pareça, passamos a vida inteira à procura de algo. Vivemos procurando por algo que nos realize e, muitas vezes, acabamos por preencher essa carência nas coisas materiais, em sentimentos e pessoas que possam nos fazer felizes e que nos completem. O ser humano precisa disso para viver, ou melhor, para sobreviver.
Perdemos o rumo de nossas vidas quando tentamos saciar a sede que há em nós nas pessoas. Nesse momento de imaturidade, não medimos esforços para nos realizar, para alcançar prazer, para satisfazer os nossos desejos. Transformamos o outro em um “estepe”, tratando-o como um objeto que vai “substituir” uma “peça” ainda não encontrada em nossa vida. Brincamos com o outro, mas, acima de tudo, com nós mesmos.
Quantos de nós já vivemos essa situação? Talvez, como ocorreu comigo antigamente, você tenha buscado ou esteja buscando preencher este vazio com uma vida afetiva e sexual desordenada, ou, quem sabe, esteja vivendo isso nas drogas, na bebida, nas compras no shopping, entre outros.
Chegamos ao fundo do poço. Não aguentamos mais, não queremos mais viver aquela vida de antes; nada nos preenche por inteiro. Mas é nesse momento, em um instante de graça, que encontramos o verdadeiro sentido das nossas vidas: Jesus. Por intermédio do sofrimento vivido por essa busca, acabamos por encontrar Aquele que esteve sempre ao nosso lado, somente esperando de nós um olhar em Sua direção para que Ele pudesse mudar as nossas vidas. Nosso Senhor vem e se apresenta a nós, leva-nos a uma experiência com Ele e muda a nossa vida totalmente.
    JESUS NOS AJUDA REESCREVER NOSSA HISTÓRIA
Muitas vezes, depois do início de um processo de conversão, quando olhamos para a nossa história, sentimo-nos culpados por tudo aquilo que já fizemos de errado. Olhamos as nossas feridas e nos martirizamos, desejando nunca ter vivido nada daquilo. Desejamos, ardentemente, esquecer tudo o que aconteceu, passar uma borracha e apagar tudo isso das nossas mentes e corações. Por muito tempo, eu também desejei ardentemente isso para mim.
Chegou um dia em que Deus mudou o meu olhar sobre a minha história. Ele me fez enxergar que, sem que eu percebesse, em tudo o que aconteceu em minha vida Ele sempre estava comigo. E que, em cada ato desordenado, no fundo, era Ele a quem eu procurava encontrar. Mesmo sem saber, em cada momento que eu tentava preencher o vazio com os meus erros, eu somente buscava e ansiava por Deus. Quando Nosso Senhor me fez tocar nessa realidade, meu coração se encheu de uma gratidão profunda por Ele, que me esperou e nunca me abandonou. O Senhor sabia que, mesmo errando e vivendo uma vida de pecado, meu coração ansiava somente por Ele.
Talvez você esteja vivendo essa situação em sua vida hoje. Talvez você esteja buscando preencher o seu vazio com pessoas, ou, quem sabe, já tenha encontrado o Senhor, mas continua se culpando por tudo o que viveu. Entenda: você está buscando ou sempre buscou por Deus. É Ele quem vai completar a sua vida. Pare de buscá-Lo nos lugares errados. Pare de “dar murro em ponta de faca”, Ele só espera um olhar seu.
Hoje, eu olho para a minha história e posso dizer: Bendito “fundo do poço” ao qual eu cheguei, pois este me levou a Deus. Busquei tanto, feri-me tanto, mas encontrei Aquele que deu sentido a todas as coisas em minha vida.
O maior desejo de nossas almas é o Senhor. Os nossos corações anseiam por Deus. Foi Ele quem eu sempre busquei. E ao me encontrar com Ele, pude entender isso. Custou-me, mas achei-O. Hoje, eu sei disso; e, como Santo Agostinho, eu digo: “Tarde te amei!”
Entenda: você sempre buscou Deus! Vá ao encontro d’Aquele que pode dar sentido à toda sua vida. Lembre-se: Ele só espera por um olhar seu !
Renan Félix



quarta-feira, 8 de agosto de 2012

ABRA SEU CORAÇÃO PARA VIVER UM TEM NOVO

Agora é o tempo da graça, o tempo oportuno. Tudo o que ficou para trás precisa ser deixado no coração de Deus. Não fique se lamentando, não fique mais com os olhos voltados somente para os problemas. Olhe para o Senhor. Os olhos d'Ele estão voltados para você e para a sua casa.

No número 83 do seu diário, Santa Faustina traz o que o próprio Jesus lhe disse a respeito do significado da intensificação da Misericórdia d’Ele nestes tempos: "Escreve isto: antes de vir como justo Juiz, venho como Rei da Misericórdia (...)". O Senhor quer atingir a cada um pessoalmente, penetrar a nossa consciência e o coração com esta graça extraordinária da Divina Misericórdia, capaz de nos transformar em homens e mulheres novos.

O Senhor não nos quer mais olhando para os nossos pecados e para o passado. Ele nos chama para que sejamos adoradores a fim de experimentarmos a Divina Misericórdia. A adoração não é para os perfeitos nem para aqueles que já chegaram a um alto grau de santidade. A adoração é para nós, pecadores, que sentimos o peso do pecado em nós. São Paulo dizia que sentia o pecado como duas naturezas, duas forças se debatendo uma contra a outra em seu interior: "Por um lado eu conheço e quero o bem, mas enquanto eu sei o que é bom e quero o bem, acabo fazendo o pecado e o mal" (cf. Rm 7,19). Este grande apóstolo não era um recém-convertido quando escreveu a Carta aos Romanos. Ele já tinha sofrido muito por Cristo e se transformado bastante, e mesmo assim ainda sentia dentro dele essa luta que acontece com todos nós.

Diante de toda a grandiosidade que nos é apresentada por Deus agora, é preciso abrir o coração para viver um tempo novo. O Senhor nos prometeu:"Meus olhos estarão abertos e meus ouvidos atentos à oração feita neste lugar. Pois agora escolhi e santifiquei esta Casa dedicada ao meu nome para sempre. Meus olhos e meu coração estarão nela todo o tempo" (2Cr 7,15-16).

Obrigado, Senhor, porque me volto para Ti e o teu amor já me envolve e tua Divina Misericórdia me restaura e salva.

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

O HOMEM TEM MEDO DA VERDADE

Mas ela tem espaço e destino certo

“A humanidade não aguenta muita realidade”. T. S. Eliot (1888-1965)

Dom Quixote é um personagem bem conhecido na ficção, criado no século XVI pelo escritor espanhol Miguel de Cervantes. Seu clássico romance leva o nome desse personagem. Nessa história, Dom Quixote enche sua mente com lendas e fábulas sobre corajosos cavaleiros vestidos com armaduras reluzentes, salvando donzelas em perigo. Logo, começa a imaginar que ele mesmo é um nobre cavaleiro. 

Em um famoso episódio, Dom Quixote ataca um grupo de moinhos de vento, acreditando que são um bando de gigantes perigosos. Achando que está servindo aos interesses de Deus por matar esses gigantes, ele acaba sofrendo completa humilhação.   

Por que Dom Quixote de la Mancha é um dos romances mais lidos do mundo? Possivelmente, porque o herói só se deixa governar pela fantasia. Nós nos identificamos com o personagem, porque ele não quer saber da realidade,desconhece inteiramente o limite entre o imaginário e o real. 

Escreve a psicanalista e escritora Betty Milan: “Os personagens de romance encontram soluções mágicas para os seus dramas. Já nós somos obrigados a aceitar a realidade”

A ilusão, a fantasia, a sedução da luxúria, o engodo pelo capital e a imaginação gananciosa, tudo isso está no contexto da arte do engano. Teologia da prosperidade, astrologia, reencarnação, cartomantes, bruxarias, amuletos, simpatias, paranormalidades, objetos voadores não identificados, pseudociência e rezas supersticiosas. Tudo isso desvia a pessoa para a idolatria e para o falso sistema religioso. Os profissionais líderes da arte do engano sabem que estão servindo seus interesses e os enganados são roubados e humilhados.

Os novos movimentos religiosos têm se constituído em uma indústria sectária financeira. As atuais seitas são empreendimentos capitalistas assustadores! Elas controlam seus fiéis por meio da alienação doutrinária herética. Nenhum ator no mundo desempenha um papel tão excelente como os líderes religiosos sectários no teatro da hipocrisia. Esses tais líderes sofrerão humilhação e condenação. Não é fácil viver a realidade com a verdade, principalmente na atual babel religiosa.

A internet legitima a vida virtual, parcial, superficial e infernal. A pós-modernidade agrega muito bem a face oculta da personalidade doentia e criminosa. Engabela-se com erros refinados na era da globalização. Dizia Santo Agostinho: “os que não se deixam vencer pela verdade serão vencidos pelo erro”.

O mundo é tremendamente ilusório e fantasioso, porque a realidade é dura demais. No entanto, a verdade tem seu espaço garantido e seu destino certo.
Padre Inácio José do Vale
Professor de História da Igreja