terça-feira, 21 de junho de 2011

A CADA EUCARISTIA UM POUCO DE CÉU SE FORMA EM NÓS

O Senhor trabalha no seu coração esta palavra de ordem: “convertei-vos”. Deus Pai escolheu este dia para realizar uma grande obra na sua vida. O primeiro passo que Ele realiza em nós é nos conscientizar de que somos pecadores e precisamos nos converter. Quantas vezes, paramos diante do Senhor e perguntamos: “Senhor, que queres que eu faça?”. A vontade do Senhor nos é revelada na própria Palavra: “A vontade de Deus é a vossa santificação” (cf. I Tessalonicences 4,3). Esse é o nosso ponto de partida.
A vontade do Todo-poderoso é que sejamos santos. Não podemos nos nivelar na mediocridade, pois a vontade do Pai a nosso respeito é elevada. Se, em algum momento da sua caminhada, você teve dúvida sobre o que o Senhor quer para a sua vida, hoje você já sabe que Ele quer que você seja santo. É preciso obedecer à sinalização de Deus na sua vida: “Convertei-vos e crede no Evangelho”.
Concretamente, em que você precisa mudar? Onde está parado o seu processo de conversão? Muitos cristãos têm consciência de que precisam se converter, mas é preciso coragem para isso, pois é uma mudança de comportamento que toma um novo caminho. E cada um de nós precisa assumir esse processo de conversão.
“Obrigado, Senhor, porque, neste dia, fala comigo, fala da minha conversão, da minha vida. Obrigado, Senhor, por ouvir o meu chamado. Eu quero assumir a santidade na minha vida. Dá-me, Senhor, a graça da conversão.”
Precisamos deixar para trás todos os sentimentos que não são de Cristo, precisamos deixar para trás tudo que em nós é diferente de Jesus. Sabe por quê? São Paulo também nos diz, em Romanos 6,36, que o salário do pecado é a morte. Quando os nossos pensamentos não são os de Cristo, são pensamentos de morte.
O apóstolo dos gentios fala da morte eterna, que vem do pecado; e Cristo nos fala da vida eterna, que vem da santidade. O que você escolhe: a vida eterna ou a morte eterna?
Quanto tempo você tem de caminhada? Qual tem sido sua opção? Nenhum de nós sabe o momento em que nos encontraremos com o Senhor, por isso precisamos estar preparados. Já imaginou a decepção de Jesus se, quando Ele vier, nos encontrar de braços cruzados, “coçando a barriga”?
O sentido da nossa conversão é Jesus, é caminhar ao encontro d'Ele. Temos essa expectativa em nosso coração de ir ao encontro do Pai, pois é com Ele que queremos estar, é n'Ele que queremos mudar nossa maneira de pensar, de sentir e de agir. Deus é a razão de nossa conversão e Cristo é o nosso companheiro nessa caminhada. Ele decidiu ser o alimento da nossa caminhada. É Jesus Cristo quem se responsabiliza, diante de Deus Pai, pela nossa santificação. Ele assume ser o Pão do Céu que transforma nossa natureza.
Cristo nos ama tanto, tem por nós uma responsabilidade tão grande, que quis ser o nosso alimento, para que não nos percamos no caminho rumo à vida eterna. Somente Ele é capaz de transformar a nossa natureza pecadora e nos tornar grandes santos. Nós, sozinhos, não somos capazes. “Convertei-vos e crede no Evangelho”. E “Sede Santos”, essas são as ordens de Jesus Cristo para nossa vida.
Santo Agostinho diz: “Quando comungamos, Jesus nos transforma n'Ele. A cada Eucaristia um pouco de céu se forma em nós. A cada comunhão, o próprio Jesus Cristo vai nos dando forças para que rompamos o pecado em nós.”
Eu sou um homem profundamente eucarístico e Jesus Cristo caminha comigo. Em todas as situações de pecado em mim, Ele está comigo, caminhando ao meu lado. É n'Ele que quero me transformar. Quando comungamos o Corpo do Senhor é como se um pouco de nosso interior saísse para dar espaço a Ele.
Lucio Domicio

BASTA UM SIM AO PERDÃO

Jesus sabe o mal que nos causa não conceder perdão, guardar ressentimento, mágoa, romper com alguém, nutrir decepção dentro de nós.
Mesmo que não demonstremos, se esses sentimentos existem em nosso interior, eles fazem um grande estrago. Os maus sentimentos tiram nossa sintonia com Deus.
Se não estamos no amor, nosso coração não consegue sintonizar com Deus. Assim o fluxo de vida não chega até nós.
Deus manda retirar de nosso coração todos os sentimentos ruins. O Senhor quer a paz de nosso coração. Ele sabe que depende de nós para que Seu amor vença. Basta um “sim” de nossa parte ao perdão e à reconciliação para que a paz volte a reinar em nossa vida.
Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O SEGUIDOR DE CRISTO E A CRUZ

É ajuizado aquele que abraça a sua cruz com a abnegação
Uma das advertências incisivas de Cristo, que cumpre seja sempre refletida, foi esta: “Quem não toma a sua cruz e não me segue não é digno de mim” (Mt 10,18). Fica, portanto, claro que quem quer seriamente segui-Lo deve carregar a própria cruz. É isso uma exigência a que todo cristão deve se submeter. Trata-se da cruz de cada dia, pois, num vale de lágrimas, esforços constantes são necessários para o próprio aprimoramento espiritual. Os sofrimentos, as amarguras, as tribulações estão sempre presentes de uma forma ou de outra, mas feliz quem as transforma em pérolas preciosas para a eternidade.
A felicidade perene não se adquire por um simples ato de virtude ou um sacrifício pontual. Toda energia e toda coragem nos mínimos sacrifícios de cada momento lançam a vida nesta terra bem longe da mediocridade, do comodismo. Cada instante é uma nova ocasião para caminhar fielmente, vencendo-se a si mesmo com generosidade e sinceridade. Note-se que Jesus determinou que é preciso segui-Lo, dado que Ele carregou primeiro a Sua cruz, deixando um exemplo a ser adotado. O mistério da cruz de Cristo transcende os séculos e os verdadeiros cristãos vivem o que dizia São Paulo: “Quanto a mim só quero me gloriar da cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo!" (Gl 6,14). Isso não quer dizer que se refaz o que o Redentor realizou há dois mil anos, mas se unir ao dom feito por Ele de si mesmo e que atravessa os tempos.
Muitos são os que pensam em fazer penitências extraordinárias, quando o que Deus quer são as penas ordinárias de cada hora aceitas de uma maneira extraordinária, porque se acha unido o cristão ao seu Salvador. Em qualquer momento desta vida o ser humano convive com as dificuldades mais variadas, mas cumpre sobrenaturalizá-las A dor e a aflição acompanham o ser racional desde o nascer ao fim de sua trajetória terrena. De fato, que idade, que tempo, que lugar e que condição social se viram jamais isentos de sacrifícios? É ajuizado aquele que abraça a sua cruz com a abnegação, com a renúncia, com a mortificação. A vida do autêntico cristão pode parecer dura, mas é meritória; pesada, mas é alegre. É o que acontecia com os santos os quais no meio de suas cruzes conservavam a calma, a paz, o júbilo, a santa resignação e conformidade com a vontade divina. Eles amavam a cruz e conheciam seu valor. Vivenciaram as palavras de São Paulo: “Realmente, o leve peso da nossa tribulação do momento presente, prepara-nos, além de toda e qualquer medida, um peso eterno de glória” (2 Cor 5,17).
O autor do livro “Imitação de Cristo” lembra que “na cruz está a salvação, na cruz encontramos a vida, na cruz nos defendemos dos inimigos, na cruz recebemos infusões de celestial suavidade, na cruz se robustece a mente, na cruz se encontra o gozo do espírito, na cruz se acha a súmula da virtude, na cruz se adquire a perfeição da santidade” (Lv II, 12). É preciso que o cristão saiba sempre combater o bom combate a que se refere o Apóstolo das Gentes (cf. II Tm 4,7). O temor do sacrifício, as desilusões e os próprios defeitos não dobram uma vontade firme, forte, enérgica e constante. Carregar a cruz, como deseja Jesus, é exercer também a disciplina da vontade, agindo seu discípulo com reflexão, sem se deixar levar pela rotina, pelo capricho do impulso do momento e de qualquer paixão desordenada. A precipitação impede de se agir com retidão.
A serenidade, a calma e a tranquilidade só as possuem quem domina com vigor seu modo de atuar. Não é fácil lutar contra a lassidão, a indolência que conduzem à omissão no cumprimento dos deveres diários. A fuga da ociosidade requer disposição contínua para que, num trabalho bem direcionado, se possa ter um autodomínio que demanda pugna ininterrupta, custosa. Deste modo, em todas as circunstâncias da vida, há como colocar em prática a determinação de Cristo, carregando com sapiência, nos traços de Seus passos. Assim, para se viver plenamente esta espiritualidade da cruz todo cristão deve, portanto, ter seu olhar voltado para Cristo e, corajosamente, segui-Lo. Apenas deste modo se experimenta a exemplaridade do Mestre divino, experiência que é sempre elemento essencial para se atingir uma melhor perfeição na caminhada rumo a Jerusalém celeste. Este convívio sábio com as incongruências do dia a dia traz imperturbabilidade e impede uma projeção pessimista quanto o dia de amanhã, porque o cristão fica prevenido e armado contra possíveis dissabores, porque saberá enfrentá-los sob a luz do divino Crucificado e repete ufano com o Apóstolo: “Eu tudo posso naquele que me conforta” (Fl 4,13).
Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho

PRECISAMOS ACORDAR PARA A SANTIDADE DE VIDA

 
A Eucaristia é a fonte de santidade, o ápice da nossa fé. As obras do Senhor são maravilhosas, são verdadeiras; por isso, nesse Tempo Comum, experimentemos a consciência da verdade: Eucaristia, fonte de santidade.
Deus é Pai, n'Ele podemos encontrar o colo paterno e nos vermos amados pelo Seu amor, que vai muito além do amor de uma paternidade biológica. Deus Pai nos ama tanto que entregou Seu Filho para morrer por nós, para que, na Sua ressurreição, possamos ter vida.
Como podemos ensinar nossos filhos a respeitar pai e mãe numa cultura de morte, na qual estes [filhos] não aprendem, na correção do amor, a ter limites? Hoje, os filhos estão matando os pais, anulando-os de sua vida. O mundo os ensina a ser independentes e os tira da riqueza da santidade de serem filhos de Deus.
Hoje, já se fala no aborto como uma realidade humana, mas ele é algo que desumaniza. Na loucura de uma inteligência distante de Deus, estão assassinando crianças!
Meus irmãos, somos chamados a assumir a vida diante d'Aquele que vive na Eucaristia. Precisamos gerar vida na nossa família. Em nossas casas, a partir de um compromisso com Cristo, precisamos ser luz e romper com a mentalidade do orgulho e do egoísmo.
Como vivenciamos isso? Por meio dos sacramentos. É por isso que Cristo nos deixou o sacramento da confissão, da reconciliação com Ele, com nós mesmos e com o próximo. Ali, diante do confessionário, dizemos que nos arrependemos de nosso orgulho e voltamos a ser puros, sem máculas, sem pecados.
Sei que não é fácil perdoar, mas com esse ato de humilhação pelo qual passamos, deixamos o orgulho de lado e geramos céu na vida do irmão. Peça perdão quantas vezes for necessário, pois quando vamos ao encontro do irmão, nós também estamos sendo canais de Deus para a vida dele.
Até curas físicas acontecem em nossa vida depois que perdoamos! Muitos até passam a sorrir, a ter esperança e motivação para viver, pois antes, por não perdoarem, sentiam um desânimo, permitiam que a escuridão tomasse conta do seu coração.
Nós precisamos ser suporte, porque estamos alicerçados na Rocha firme, que é Cristo. Precisamos acordar para a santidade de vida, ter paciência com o próximo, pois santidade não é deixar de cair, mas ter a capacidade de olhar para a misericórdia. Somente as obras do Senhor são verdadeiras e justas em nossa vida.
Deus quer operar em nossa forma de pensar; Ele quer que nos esforcemos para viver sempre a misericórdia e, assim, possamos ser misericordiosos com os outros.
Senhor Jesus Cristo, dê-me a graça de me comprometer com Sua obra, que é verdadeira e justa, para que eu possa testemunhar a vida que experimento na Eucaristia e também para que eu amadureça por meio das cruzes que sou chamado a carregar, a cruz da vida, do amor e da misericórdia”.Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Padre Ivan Paixão

domingo, 19 de junho de 2011

MAIOR TENTAÇÃO É ACREDITAR QUE A RIQUEZA É PODER PESSOAL

“No momento existe o mal, o egoísmo, a maldade e Deus poder vir para julgar este mundo, para destruir o mal, para castigar aqueles que operam nas trevas. Em vez, Ele mostra o amor ao mundo, amor pelo homem, no momento do seu pecado, e envia aquilo que há de mais precioso: Seu Filho unigênito”,
O Papa explica que Jesus é o Filho de Deus que nasceu pela humanidade, que viveu por ela e que venceu o mal perdoando os pecados e os acolhendo.
Homilia do Santo Padre na Solenidade da Santíssima Trindade
Em resposta desse amor que vem do Pai, Cristo deu sua própria vida pela humanidade sobre a cruz, lugar onde o amor misterioso de Deus chega ao cume. “E é sobre a cruz que o Filho de Deus nos concede a participação à vida eterna, que vem comunicada com o dom do Espírito Santo”, ressalta Bento XVI na celebração da festa da Santíssima Trindade, mistério central da fé cristã.
Assim, esclarece o Papa, no mistério da cruz,  estão presentes as três Pessoas divinas: o Pai, que doa seu Filho unigênito para a salvação do mundo; o Filho, que compre até o fim o designo do Pai; o Espírito Santo – efuso de Jesus no momento da morte – que vem tornar todos participantes da vida divina.
Diante do pecado, Deus se revela compassivo e bondoso e seu amor misericordioso vence o pecado, cobre-o, apaga-o. “Diante do pecador para oferecer a possibilidade da conversão e do perdão” e a maior riqueza do homem é a fé neste Deus de amor, salienta o Santo Padre.
Mas atualmente, destaca o Pontífice, há a tentação de acreditar que a riqueza do homem não é a fé, mas o seu poder pessoal e social, sua inteligência, sua cultura e sua capacidade de manipulação científica, tecnológica e social da realidade.
Assim, “hoje, a nossa missão é confrontar as profundas e rápidas transformações culturais, sociais, econômicas e políticas, que determinaram novas orientações e modificaram mentalidades, costumes e sensibilidade”, enfatiza Bento XVI.
Em todos os lugares não faltam dificuldades e obstáculos, devidos, sobretudo, aos modelos hedônicos que obscurecem a mente e ameaçam desfazer toda a moralidade.
Mas a substituição da fé e dos valore cristão pelas riquezas, no fim, se revela inconsistente e incapaz de assegurar a grande promessa verdadeira do bem, do belo e do justo indentificado com a experiência da fé.
“Não esqueçam a crise que se agrava em não poucas famílias da difusa fragilidade psicológica e espiritual dos casais, como também a cansativa experiência de muitos educadores em oferecer contínua formação aos jovens condicionados a muitas precariedades, primeiro entre todos aqueles do meio social e depois da possibilidade de trabalho”, salientou o pontífice.
Por isso, o Papa pede que cada componente da Igreja se empenhe na promoção da vida cristã nos seus vários aspectos, exortando a todos os fiéis que sejam como fermento no mundo, mostrando que os cristão estão presentes e são pró-ativos e coerentes.
“Que os sacerdote, os religiosos e religiosas vivam sempre na mais cordial e afetiva comunhão eclesial ajudando e escutando o pastor diocesano. Também  peço a vocês com urgência uma revitalização das vocações sacerdotais, em especial a consagração: faço um apelo às família e aos jovens para que abram a alma para um resposta pronta ao chamado de Deus. Nunca se arrependerão de ser generosos com Deus!”, reforçou o Santo Padre.
Aos leigos, Bento XVI pediu empenho ativo na comunidade, de modo que, além de seus deveres civis, políticos, sociais e culturais, possam encontrar tempo e disponibilidade para a vida da fé, a vida pastoral.

CHEGAREMOS Á SANTIDADE LUTANDO !

Não somos destinados à ira, e sim a alcançar a salvação por Nosso Senhor Jesus Cristo. Deus não quer que sejamos o joio, que será arrancado e lançado ao fogo, mas sim o trigo d'Ele, que será levado com Ele.

“A vontade de Deus é a vossa santificação” (1Ts 4,3).

A palavra “santificação” fala de trabalho, de esforço, de luta, de transformação. É a nossa santificação. Vamos deixando o “homem velho” e conquistando o “homem novo”. Perceba: não é impossível! Para nós é difícil, mas por meio do Espírito Santo, que nos foi dado, isso se torna possível. Deus nunca nos pede algo impossível de ser realizado, ao contrário, se Ele está mandando, é porque é possível. Pelo Seu Espírito chegaremos à santidade. Basta querer, lutar e tudo acontecerá!

Monsenhor Jonas Abib

SIMPLESMENTE BARRO NAS MÃOS DO OLEIRO

Não existe arte sem amor, quadro sem pintor, vaso sem oleiro… 

A Sagrada Escritura utiliza-se de inúmeras figuras e expressões para revelar Deus e o Seu modo peculiar de agir na história. Entre estas descrições quero destacar a imagem do oleiro, fortemente acentuada pelo profeta Jeremias (cf. Jer 18,1-6ss).
Nestes versículos apresentados pelo profeta, a manifestação divina é expressa com a figura de um oleiro, que molda como a argila aqueles que Lhe pertencem. Esta descrição é rica em expressão e em significado, pois desvela a ação e o amor do Eterno, possibilitando-nos compreender o "singelo jeito" com que Ele nos acompanha e faz crescer.
Este Oleiro sabe, melhor que nós mesmos, do que realmente precisamos e o que nos fará essencialmente felizes. Sua ternura nos convida ao abandono total aos Seus cuidados, os quais sempre nos proporcionarão o melhor, mesmo quando não formos capazes de compreender Seu distinto modo de agir. Por isso, para caminhar no território da fé, a confiança se estabelece como realidade mais necessária do que a compreensão… Uma confiança "filial" de alguém que se descobre amado e cuidado e que, por isso, crê que o Oleiro está sempre agindo e realizando o que é melhor para seus dias.
De fato, este Oleiro enxerga além. Ele contempla as surpresas que ao futuro pertencem e, na Sua Divina Providência, cuida de nós: ora retirando de nosso caminho o que nos é prejudicial, ora acrescentado algo àquilo que nos falta. Isso nos desautoriza a pretensão de querer condicionar a ação de Deus à nossa limitada maneira de enxergar e compreender as coisas, antes, nos confessa que é preciso confiar naquilo que Ele faz e em Seu modo particular de fazê-lo.
A confiança nos abre à percepção de que Deus sabe retirar excessos e acrescentar às ausências no momento certo. Sabe o que realmente nos fará crescer e amadurecer (e crescer às vezes dói). E maduro é quem sabe perder sem apegos, para que assim possa ser despojado do que não lhe é essencial e acrescentado no que realmente lhe falta.
Não existe arte sem amor, quadro sem pintor, vaso sem oleiro… Obra mais bela é a que se constrói pelas mãos do artista, do Oleiro. Só Ele traz em Seu coração os belos sonhos que poderão retirar um rude barro de sua "não existência".
O barro não pode se moldar a si mesmo. Para vir a ser, ele precisa confiar-se aos sonhos e à sensibilidade do oleiro, pois as mãos dele comportam a medida certa, entre firmeza e delicadeza, para trabalhar esta substância abstrata transformando-a em uma linda obra de arte.
Da mesma forma, não existe parto sem dor, maturidade sem perdas, felicidade sem se  ater ao essencial. É necessário confiar n’Aquele que nos molda, e mesmo quando a firmeza de Suas mãos parecer pesar demais sobre nós, confiemo-nos à Sua iniciativa e criatividade, que sempre realizará em nós o que é melhor.
A felicidade faz morada em nosso coração à medida que nos assumimos como aquilo que realmente somos: “Barro, apenas barro, nas mãos do Oleiro!”
Diácono Adriano Zandoná